Rede de traficantes do país financiava suposto líder de esquema com CV no Amazonas, diz delegado
Operação Policial Desarticula Núcleo do CV no Amazonas
Na última sexta-feira, uma operação policial visou desmantelar um suposto "núcleo político" do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Durante a ação, foram encontrados depósitos em dinheiro de uma rede de traficantes de diferentes partes do país, destinados a Allan Kleber Bezerra de Lima, identificado como o líder do esquema. A polícia informou que ele não compareceu acompanhado de advogado.
Os valores dos depósitos variavam de R$ 100 mil a R$ 700 mil. De acordo com o delegado Marcelo Martins, havia uma rede de traficantes de vários estados enviando recursos para Bezerra de Lima, que, por sua vez, transferia dinheiro para empresas-fantasma localizadas em Tabatinga, uma cidade na fronteira com a Colômbia.
Na operação, 14 pessoas foram presas, com oito no Amazonas e seis em outros estados. A investigação revela que a facção conseguiu penetrar nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, possuindo uma estrutura organizada com ramificações em outras regiões do país.
A apuração revelou que um grupo de empresas, registradas em nome de Bezerra de Lima e pessoas ligadas a ele, era utilizado para facilitar o tráfico de drogas a partir de Manaus e Tabatinga.
Na capital amazonense, foram identificados depósitos feitos a funcionários públicos da Prefeitura de Manaus, do Legislativo municipal e do Judiciário local, além das polícias Civil e Militar. O delegado Martins ainda não conseguiu determinar o papel desses funcionários no esquema criminoso, afirmando que essa questão está em investigação.
Em nota, a Prefeitura de Manaus afirmou que não é alvo da operação e que nem o prefeito David Almeida nem a administração municipal estão envolvidos na investigação. A gestão municipal ressaltou que qualquer servidor investigado será responsabilizado individualmente.
A investigação teve início há cerca de quatro meses, após a apreensão de drogas sob a ponte Educandos, no centro de Manaus. Ao analisar as finanças de Ferreira de Lima, identificado como o proprietário do carregamento, foram descobertas transações e comunicações entre ele e outros indivíduos sobre suas relações com órgãos públicos.
Martins relatou que Ferreira de Lima exibia uma postura de segurança, afirmando ter "tentáculos" em diversos órgãos e que poderia resolver qualquer situação devido ao seu poder financeiro.
Entre os detidos, destaca-se Izaldir Moreno Barros, que recentemente atuou como motorista da desembargadora do TJ-AM (Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas), Nélia Caminha Jorge. O tribunal abriu um procedimento interno para investigar a conduta do servidor.
Outra prisão significativa foi a de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, que supostamente repassou R$ 1,4 milhão para a organização criminosa.
O delegado ainda comentou sobre a estratégia do foragido, que parecia comprar influência em diversos órgãos públicos. A defesa de Anabela Freitas solicitou a preservação da presunção de inocência, assim como o representante de Alcir.
A investigação continua em andamento, buscando esclarecer todos os envolvidos e suas respectivas funções no esquema criminoso.
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