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Reag e Banco Master: como a gestora entrou no radar das investigações da PF?

Reag e Banco Master: a conexão com as investigações da PF

A Reag Investimentos, fundada em 2013, destacou-se como uma das maiores gestoras independentes do Brasil e foi pioneira ao abrir capital na bolsa.

Na última quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, atual denominação da Reag Trust DTVM. A decisão foi tomada um dia após o avanço da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades financeiras relacionadas à empresa e sua conexão com fraudes associadas ao Banco Master.

A Reag é acusada de estruturar e administrar fundos que movimentavam recursos de maneira atípica, inflando resultados e ocultando riscos, com evidências de fraudes e lavagem de dinheiro. Além disso, a empresa está envolvida em outra investigação, a Operação Carbono Oculto, que apura a ligação de fundos de investimento com o crime organizado, especificamente o PCC.

A liquidação da Reag foi motivada por descumprimentos de normas legais e prudenciais, conforme o Banco Central. As operações da instituição serão interrompidas imediatamente, embora os fundos associados à empresa continuem existindo e serão transferidos para outras gestoras.

A Reag, que chegou a administrar cerca de R$ 299 bilhões, foi controlada pela Reag Capital Holding S/A e, recentemente, anunciou o fechamento de capital, deixando de ser uma companhia aberta. Este movimento ocorreu em um contexto de reestruturação e investigação pela Polícia Federal.

João Carlos Mansur, fundador da Reag, está entre os investigados na Operação Compliance Zero. Com 35 anos de experiência no mercado financeiro, ele teve um histórico repleto de controvérsias, incluindo sua renúncia ao cargo de presidente do conselho em setembro do ano passado, após a empresa ser alvo de investigações relacionadas ao PCC.

Mansur, que tem um currículo extenso em auditoria e gestão financeira, também esteve envolvido em projetos de grande visibilidade, como a criação do Allianz Parque e a joint venture com a Trump Realty Brazil.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado, visava desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro na indústria de combustíveis, em que a Reag foi citada como uma das gestoras envolvidas. A investigação revelou que a facção criminosa controlava ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, usados para ocultar recursos ilícitos.

O escândalo do Banco Master, que já enfrentava dificuldades financeiras, intensificou-se com a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. As irregularidades na gestão e a suspeita de fraudes na venda de carteiras de crédito foram algumas das questões levantadas.

Recentemente, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a Mansur e outros envolvidos, visando desmantelar um esquema de desvio de recursos.

A Reag, além de sua atuação financeira, buscou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes em São Paulo, mas a parceria foi encerrada em dezembro.

Os desdobramentos das investigações continuam a impactar o mercado financeiro, e o Banco Central afirmou que seguirá apurando responsabilidades, podendo resultar em sanções administrativas. A empresa, que administrava mais de 80 fundos de investimento, agora enfrenta um futuro incerto, enquanto a Reag Capital Holding mantém uma postura de defesa, reafirmando sua conformidade com as normas do sistema financeiro.


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