Ratinho pipoca no primeiro encontro com o PL em Brasília
O governador Ratinho Júnior (PSD) recuou na primeira reunião marcada com a cúpula do PL, nesta segunda-feira (9), em Brasília, e deixou no ar a dúvida que mais desgasta seu entorno: ele quer mesmo disputar o Planalto ou está apenas tentando valorizar o próprio passe no mercado da direita? Segundo apuração do Blog do Esmael no Distrito Federal, Ratinho não apareceu no encontro combinado com dirigentes liberais e remarcou a conversa para quarta-feira (11), no complexo Brasil 21, onde funciona a sede nacional do partido.
A imprensa já tratava a agenda como parte do avanço das conversas entre Ratinho e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome do PL na corrida presidencial. Reportagem publicada hoje registrou a expectativa em torno do encontro em Brasília.
Mas, no bastidor, a temperatura era mais alta do que parecia.
De acordo com fontes do Blog do Esmael, Ratinho preferiu não encarar, por ora, a conversa direta com Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro. O motivo seria simples e politicamente indigesto: ouvir dos liberais que o PL pode marchar com o senador Sergio Moro (União), caso o governador do Paraná insista no projeto presidencial.
Em português claro, Ratinho adiou o constrangimento.
Moro é indigesto para Valdemar, que já foi alvo do ex-juiz da Lava Jato. Também não desce pela garganta de Flávio, em razão dos atritos com o clã na crise sobre o comando da Polícia Federal, especialmente no Rio de Janeiro, quando o hoje senador do União Brasil era ministro da Justiça e entrou em rota de colisão com o bolsonarismo.
Por isso, nos bastidores de Brasília, já circula uma solução paralela articulada pelo presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP). A engenharia prevê palanque para Flávio Bolsonaro no Paraná sem depender de Ratinho até o fim dessa novela. Nesse desenho, Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, surgiria como nome ao Palácio Iguaçu, com Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual, na vice, e o ex-senador Alvaro Dias (MDB-PR) na disputa por uma vaga ao Senado. A viabilidade eleitoral de Curi e Alvaro já aparece em levantamentos recentes no estado, e Alvaro tem atuado publicamente como quadro do MDB paranaense.
A mensagem desse arranjo é direta e pesada para o Palácio Iguaçu. Se Ratinho insistir em manter o projeto nacional e continuar sem entregar ao PL uma composição clara no estado, a direita pode começar a montar seu próprio palanque regional, por fora, com uma aliança que mistura bolsonarismo, Republicanos, dissidência do grupo governista e o capital eleitoral de Alvaro Dias. Seria, na prática, um aviso político ao governador.
O problema para Ratinho é que o relógio corre contra ele. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, indicou que a legenda vai bater o martelo ainda em março sobre candidatura própria ao Planalto. No páreo seguem Ratinho, Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO), que nesta segunda-feira voltou a se apresentar como presidenciável do partido.
Esse encurtamento de prazo piora a vida do governador paranaense.
Se avança para Brasília, Ratinho perde controle sobre a própria sucessão no estado. Se recua, fica com a pecha de quem ensaiou voo nacional, mas não bancou a altitude.
No Paraná, o cenário também está longe de ser pacífico. O governador trabalha para empurrar o secretário Guto Silva (PSD) como herdeiro político, mas o nome não unificou o grupo. Nos bastidores, cresce a leitura de que Alexandre Curi e Rafael Greca não aceitarão passivamente uma sucessão desenhada de cima para baixo, e, em virtude disso, eles ensaiam uma debandada para o Republicanos.
É aí que a reunião abortada com o PL ganha tamanho real.
Flávio Bolsonaro disputa o mesmo campo ideológico de Ratinho e tenta consolidar a direita sob o guarda-chuva bolsonarista. Ao faltar ao primeiro encontro, o governador evitou a foto ruim. Mas não eliminou o problema. Só empurrou alguns dias para frente.
Porque a nova reunião, marcada para quarta-feira (11), pode deixar de ser apenas uma conversa e virar teste de sobrevivência. Ou Ratinho entra no arranjo da direita em posição menos confortável do que imaginava, ou insiste na aventura presidencial sabendo que o PL já trabalha alternativas no Paraná.
No fundo, a ausência desta segunda-feira falou mais do que qualquer nota oficial. Quem falta ao primeiro encontro decisivo já entra na mesa em desvantagem. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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