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Quem vai mandar no Irã após Khamenei? Ataques de EUA e Israel embaralham sucessão

A sucessão no Irã após Khamenei: incertezas e desafios

01/03/2026 15h20

Atualizado há 15 minutos

A recente morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em ataques dos EUA e de Israel, gera incertezas sobre a continuidade do sistema teocrático do país. A sucessão é um tema complicado, e as perspectivas sobre quem pode assumir a liderança são incertas.

Os ataques têm como alvo não apenas os aiatolas, mas também os Guarda Revolucionários e conselheiros próximos a Khamenei, que estão no poder há décadas. Um comitê provisório, conforme estipulado pela constituição, assumiu temporariamente as funções do líder supremo.

Donald Trump afirmou que a nova liderança do Irã deseja negociar e elogiou os ataques a Teerã, mencionando que 48 líderes iranianos foram mortos, além de garantir que a ofensiva militar está "adiantada em relação ao cronograma".

A mídia estatal anunciou a eleição do líder supremo interino, Alireza Arafi, que deverá conduzir o processo de substituição após a morte de Khamenei. A seguir, uma análise sobre como o poder pode se estruturar na República Islâmica, quais são os possíveis candidatos e o impacto dos ataques de EUA e Israel na situação.

O que é o 'líder supremo' do Irã?

O sistema teocrático do Irã foi estabelecido após a revolução de 1979 que depôs o xá. O aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da revolução, introduziu o conceito de vilayat-e faqih, ou tutela do jurista islâmico. Essa teoria defende que, até o retorno do 12º Imã, o poder deve ser exercido por um clérigo respeitável.

O líder supremo, que possui a autoridade máxima e orienta o presidente eleito e o Parlamento, deve ser um clérigo sênior. Ao longo das décadas, tanto Khomeini, que faleceu em 1989, quanto Khamenei, que governou desde então, tiveram a palavra final em questões estatais. No entanto, qualquer novo líder enfrentará um momento de intensa ruptura.

Quem escolherá o sucessor de Khamenei?

A Constituição estabelece que um novo líder deve ser escolhido em até três meses. Durante esse período, o presidente Masoud Pezeshkian, o membro do Conselho dos Guardiães Aiatolá Alireza Arafi e o chefe do Judiciário Aiatolá Gholamhossein Mohseni-Ejei assumirão a liderança como um conselho temporário.

A responsabilidade pela escolha do novo líder recai sobre a Assembleia de Especialistas, composta por cerca de 90 clérigos seniores eleitos a cada oito anos. Contudo, com a continuidade dos ataques, não está claro como e quando essa assembleia poderá se reunir.

Khamenei nunca nomeou um sucessor publicamente, e a decisão provavelmente será tomada pelas figuras mais influentes da República Islâmica, que estiveram no poder sob sua liderança. O sucessor indicado deverá ser aprovado pela Assembleia.

Entre as figuras de destaque, o conselheiro veterano Ali Larijani é considerado um dos principais atores políticos do Irã.

Quem são os principais candidatos?

O filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, é frequentemente mencionado como um potencial sucessor, mas seu futuro é incerto, especialmente após a morte de sua esposa em um ataque no Iraque. Isso abre espaço para que Hassan Khomeini, neto de Khomeini e associado à facção reformista, seja visto como uma escolha mais viável para moderar a relação com o Ocidente e acalmar a população.

Arafi e Mohseni-Ejei são opções menos proeminentes, com tendências de linha-dura. Mohseni-Ejei, em particular, teve um papel ativo na repressão de protestos em 2009.

Além disso, clérigos como Ahmad Alamolhoda e Mohsen Araki, também de linha-dura, podem ser considerados. O ex-presidente Hassan Rouhani, embora seja um clérigo sênior, não goza da confiança de alguns dos poderosos conservadores.

Teoricamente, a Assembleia poderia optar por um aiatolá menos conhecido, mas o cenário fragmentado dificultaria a afirmação de um novato.

Qual será o papel da Guarda Revolucionária?

A Guarda Revolucionária Islâmica sempre teve um papel central na escolha do sucessor de Khamenei, já que responde exclusivamente ao líder supremo. No entanto, a força da Guarda foi afetada pelos recentes ataques, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de influenciar a decisão.

O comandante mais importante da Guarda, Qassem Soleimani, que liderou a estratégia de exportação da revolução, foi morto em um ataque dos EUA em 2020. Além disso, ataques israelenses eliminaram outros comandantes importantes. O mais recente, Mohammed Pakpour, também foi morto recentemente.

A Milícia Basij, sob o controle da Guarda, é frequentemente utilizada para reprimir protestos internos, consolidando o papel da Guarda no controle da ordem interna. Nos últimos anos, o poder econômico da Guarda aumentou, especialmente através da Khatam al-Anbiya, que conquistou contratos bilionários no setor de petróleo e gás do Irã.

O povo iraniano terá voz ativa?

Os iranianos elegem um presidente e um Parlamento para mandatos de quatro anos, e o presidente nomeia um governo que lida com a política cotidiana dentro dos limites impostos pelo líder supremo.

Historicamente, as eleições atraiam alta participação, mas a confiança do povo na política eleitoral diminuiu. Embora Pezeshkian, um moderado, faça parte do comitê interino, sua influência sobre o futuro da liderança é incerta.

A Assembleia de Especialistas, apesar de ser eleita, tem seus candidatos avaliados pelo Conselho dos Guardiães, limitando a participação a aqueles que já estão alinhados com as autoridades.


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