Quem são os servidores investigados por vazamento de ...
Servidores da Receita são investigados por vazamento de dados de ministros do STF
17/02/2026 16h12
Atualizado há 4 dias
Nesta terça-feira, 17, servidores da Receita Federal, cedidos a outros órgãos, foram alvos de uma operação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação visa apurar violações de sigilo fiscal de familiares de ministros da Corte. Embora as identidades das vítimas não tenham sido oficialmente reveladas, apurações do Estadão indicam que uma delas é a esposa do ministro Alexandre de Moraes, e outra, o filho de um também ministro do Supremo.
A Receita Federal informou que uma auditoria sobre o vazamento de dados fiscais envolve múltiplos sistemas e contribuintes. O STF declarou que foram encontrados “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal, seguidos de posterior vazamento das informações sigilosas”.
A Polícia Federal está conduzindo uma operação para investigar o suposto vazamento de informações fiscais de ministros do STF e de seus familiares.
Os nomes dos servidores investigados foram divulgados pelo STF: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
Até o fechamento desta matéria, o Estadão tentou contato com as defesas sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações.
Ricardo Mansano de Moraes é auditor da Receita desde maio de 2007. Em dezembro, ele recebeu R$ 51 mil em salários, conforme o Portal da Transparência. Ele faz parte da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat), responsável por análise e gestão de créditos tributários. Mansano atua na Delegacia da Receita em Presidente Prudente, interior de São Paulo, e reside em São José do Rio Preto, a 433 km da capital.
Ruth Machado dos Santos, técnica do Seguro Social desde 1994, trabalha como agente administrativo em um posto da Receita em Guarujá, litoral paulista, com contracheque de R$ 11.664,79 em dezembro.
Luciano Pery Santos Nascimento, também técnico do Seguro Social, está no serviço público desde 1983 e recebe R$ 18.777,19. Ele é lotado na Bahia.
Os quatro investigados foram afastados de suas funções e tiveram o sigilo bancário, fiscal e telemático quebrado por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Eles estão sob restrições de deslocamento e proibição de saída do país, além de não poderem ingressar nas dependências do Serpro e da Receita.
A operação da PF foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia e faz parte de uma investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal. A ação foi motivada por uma representação da Procuradoria-Geral da República.
Em nota, a Receita reconheceu o acesso indevido a dados e afirmou que as investigações continuam. O órgão destacou que não tolera desvios relacionados ao sigilo fiscal, fundamental para o sistema tributário. Desde 2023, controles de acesso a dados foram ampliados, com forte restrição a perfis e aumento de alertas.
Em janeiro, Alexandre de Moraes abriu um inquérito para investigar se a Receita e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram irregularmente o sigilo fiscal de ministros e familiares.
Em 12 de janeiro, o STF solicitou uma auditoria à Receita para identificar possíveis desvios de acesso a dados nos últimos três anos. Essa auditoria está em andamento e desvios já foram preliminarmente informados ao relator no STF.
A Receita questiona o inquérito, uma vez que não possui dados de contratos particulares, e o acesso indevido a informações sigilosas pode resultar em demissão.
As suspeitas de vazamento surgiram após a Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
Em dezembro, o O Globo reportou detalhes do contrato da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para defender os interesses do Banco Master. Segundo o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões mensais por três anos, totalizando R$ 129 milhões até 2027.
Com a abertura do inquérito, um grupo de ministros defende que a investigação esclareça os vazamentos, enquanto outra parte da Corte vê isso como uma possível pressão sobre órgãos de controle.
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