Domingos Brazão

Quem são os irmãos Brazão, condenados pela morte da vereadora Marielle Franco

Irmãos Brazão condenados pelo assassinato de Marielle Franco

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, condenou os irmãos Domingos Inácio Brazão e Francisco Inácio Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em março de 2018. Ambos, incluindo o deputado cassado, receberam penas que somam 76 anos e 3 meses de prisão, sendo acusados de duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada.

Conforme a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que assumiu ser o executor dos disparos, os irmãos Brazão foram identificados como os mandantes do crime.

A trajetória de Domingos Brazão

Domingos Brazão iniciou sua carreira política antes de seu irmão, Chiquinho. Ele foi vereador, deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Filho caçula de imigrantes portugueses, nasceu em Jacarepaguá e começou sua trajetória em 1994 como suplente de vereador pelo Partido Liberal (PL), migrando posteriormente para o PTB e MDB. Em 1996, foi eleito vereador.

Em 1998, foi eleito deputado estadual e, em 2000, concorreu à prefeitura do Rio pelo PTdoB, ficando em oitavo lugar. Seu mandato foi cassado em 2011 pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) devido a supostas práticas de compra de votos. Após conseguir uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele manteve seu cargo. Domingos também enfrentou acusações de abuso de poder econômico e chegou a ser afastado, mas foi absolvido pelo STF.

Em 2017, foi preso pela Operação Lava-Jato durante a Operação Quinto do Ouro, acusado de corrupção. Ele e outros conselheiros foram investigados por receberem propina de empresários com contratos com o Estado, mas permaneceu na prisão por apenas uma semana.

O nome de Chiquinho apareceu nas investigações graças à delação de Ronnie Lessa. A citação a ele levou o caso ao STF, após já ter sido encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça devido à menção a Domingos.

A trajetória de Chiquinho Brazão

João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho, foi eleito vereador pela primeira vez em 2004 e permaneceu na Câmara Municipal do Rio por 14 anos, sendo reeleito em 2008, 2012 e 2016. Durante seu tempo na câmara, conviveu com Marielle Franco. Em um vídeo de setembro de 2017, aparece ao lado da vereadora do PSOL.

Em 2019, Chiquinho renunciou ao cargo de vereador para se tornar deputado federal. Sua biografia na Câmara o descreve como empresário com escolaridade até o ensino médio. Em fevereiro de 2024, pediu licença para assumir a secretaria especial de Ação Comunitária, mas retornou ao cargo na Câmara após rumores sobre sua possível ligação com a morte de Marielle.

Em 2013, Chiquinho liderou a CPI dos Ônibus, que investigava irregularidades no transporte público. O relatório final da comissão, segundo o jornal O Globo, ignorou pareceres técnicos e não propôs mudanças significativas na legislação.

Relações políticas da família Brazão

A atuação dos irmãos Brazão na política abrange diversos partidos. Domingos se filiou ao PL, PTB e MDB, enquanto Chiquinho passou pelo MDB, Avante e União Brasil. Ele apoiou a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, destacando uma carreata em favor de sua reeleição.

Anteriormente, Domingos, ainda no MDB, havia apoiado a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014. Naquela época, ele foi fotografado ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha em eventos pelo Rio, elogiando-o publicamente.

Principais figuras citadas

Domingos Brazão: conselheiro do TCE-RJ.

Chiquinho Brazão: ex-deputado federal e irmão de Domingos.

Rivaldo Barbosa: ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Ronald Alves de Paula: major da Polícia Militar.

Robson Calixto: ex-policial militar e assessor de Domingos.


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