Quem manda no Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei?
Quem assume o poder no Irã após a morte de Ali Khamenei?
O aiatolá Ali Khamenei foi morto durante ataques aéreos intensos realizados pelos EUA e Israel contra o Irã, conforme anunciado pelo presidente americano Donald Trump no sábado (28/2). Sua morte, em um contexto tão violento, sugere um futuro incerto para o país e a região, além de levantar questões sobre sua sucessão.
A televisão estatal iraniana confirmou o falecimento do governante de 86 anos, que esteve no poder por quase quatro décadas. O governo decretou 40 dias de luto nacional e sete feriados, marcando um momento histórico para a nação.
Como chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas, que incluem a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), Khamenei detinha um poder imenso, também respaldado por um império financeiro conhecido como Setad, que ele controlava diretamente. Esta organização, avaliada em bilhões de dólares, cresceu significativamente durante seu governo, investindo consideráveis recursos na Guarda Revolucionária.
Embora não fosse considerado um ditador absoluto, Khamenei operava em uma rede complexa de centros de poder, tendo a capacidade de vetar questões de política pública e escolher candidatos a cargos importantes.
Conforme a Constituição, o presidente, o chefe do Judiciário e um clérigo de alto escalão do Conselho dos Guardiães assumirão a liderança interina até que a Assembleia de Peritos escolha um novo líder. O Conselho dos Guardiães assegura que as leis do Parlamento estejam em conformidade com a Constituição e a lei islâmica, enquanto a Assembleia de Peritos é responsável por nomear e supervisionar o líder supremo.
Desde 1979, o Irã é uma teocracia onde a autoridade máxima é exercida pelo líder supremo, não pelo presidente. Rosa Meneses, analista do Centro de Estudos Árabes Contemporâneos (CEARC), detalhou que a Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos, avaliará os candidatos ao posto.
O processo de sucessão foi intensificado nos meses anteriores à morte de Khamenei, especialmente com o aumento das tensões com os EUA e Israel. Durante a guerra de 2025, os líderes iranianos já se preparavam para um potencial ataque à liderança.
Com a situação atual, convocar rapidamente todos os membros da Assembleia de Peritos pode ser complicado, devido à insegurança gerada pelos ataques. As incertezas sobre quem será o novo líder aumentam, dada a situação delicada do país.
Atualmente, Alireza Arafi, do Conselho dos Guardiães, foi nomeado líder supremo interino, atuando ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.
Entre os possíveis sucessores, Mushtaba, filho de Khamenei, é uma figura mencionada, mas a sucessão hereditária pode não ser bem recebida pelo clero xiita. O nome de Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, também surge como um candidato viável, devido à sua legitimidade e ao fato de ter tentado concorrer a cargos políticos.
Outra figura significativa é Ali Larijani, atual secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que supervisiona uma ampla gama de assuntos, desde negociações nucleares até repressão de protestos internos.
A incerteza reina sobre como o regime se organizará nos dias seguintes à morte de Khamenei, especialmente sob a pressão de ataques externos. A fragmentação da oposição e a falta de um sucessor claro tornam a situação ainda mais complexa.
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