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Quem inventou o chuveiro elétrico?

A origem do chuveiro elétrico

A invenção do chuveiro elétrico é uma contribuição genuinamente brasileira, criada no interior de São Paulo há quase 100 anos. O responsável por essa inovação foi Francisco Canho, que a desenvolveu em janeiro de 1927 na cidade de Jaú, com o intuito de ajudar seu pai, que sofria de reumatismo.

Desde então, esse aparelho se tornou indispensável, presente em 73% dos lares brasileiros.

Banhos quentes são uma prática antiga, com registros no Japão que datam de pelo menos 10 mil anos. Os egípcios, por sua vez, aqueciam a água utilizando cavidades vulcânicas e pedras quentes, uma técnica que remonta a cerca de 3 mil anos.

Com o passar do tempo, na Ásia, Europa e Estados Unidos, o uso de gás para aquecimento de água se popularizou, com grandes reservatórios domésticos conhecidos como boilers.

Entretanto, no Brasil, a realidade foi diferente. A invenção do chuveiro elétrico se destacou como uma solução prática e adaptada às necessidades locais. Sem formação técnica, Canho era um inventor autodidata que gostava de criar dispositivos. A ideia do chuveiro surgiu da necessidade de proporcionar um banho quente sem a complicação de aquecer água no fogão a lenha.

Após desmontar um ferro elétrico, Canho descobriu a "resistência", um componente que se aquece com eletricidade. Ele teve a ideia de inserir essa resistência dentro de um cano de água, criando assim o chuveiro elétrico. Após diversos testes e dificuldades, conseguiu estabilizar seu modelo.

O inventor começou a vender seus chuveiros de porta em porta em Jaú, atraindo rapidamente a atenção dos moradores. Com o sucesso, fundou sua própria empresa, chamada F. Canhos, localizada no bairro Jardim Santo Antônio, onde hoje uma avenida homenageia seu nome. A partir de sua fábrica, Canho distribuiu chuveiros para todo o Brasil.

A patente da invenção foi registrada em 1943, mas outras empresas, como FAME e Lorenzetti, já estavam atentas ao potencial do mercado e começaram a produzir suas versões do produto. A Lorenzetti acabou adquirindo a patente na década de 1950.

Nos primeiros anos, os chuveiros eram feitos de metal, mas a popularização do plástico na década de 1960 reduziu custos e tornou o produto mais acessível. O sistema descentralizado de aquecimento se mostrou mais econômico e fácil de instalar, ajustando-se bem ao clima brasileiro, onde a água geralmente não é aquecida a temperaturas extremas.

Francisco Canho faleceu em maio de 1988 em Jaú. Sua empresa permaneceu ativa até 2019, quando foi arrendada por uma de suas filhas. O legado deixado por Canho é um produto tipicamente brasileiro, que hoje, segundo o PROCEL, está presente em 73% dos lares no país.


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