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Quem era 'El Mencho', o narcotraficante mais procurado do México morto em operação militar

Quem era 'El Mencho', o narcotraficante mais procurado do México

O Exército mexicano anunciou a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", durante uma operação militar realizada no último domingo (22/2) em Tapalpa, a cerca de 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco. Ele liderava o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais temidas e procuradas tanto no México quanto nos Estados Unidos.

A operação resultou em confrontos com supostos membros do crime organizado, que reagiram bloqueando várias rodovias em Jalisco, Michoacán e Tamaulipas, além de provocar incêndios em estabelecimentos comerciais em Guanajuato. As autoridades reportaram mais de 60 mortes, incluindo 25 membros da Guarda Nacional.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou a ocorrência de confrontos na região e que, em resposta, indivíduos queimaram e bloquearam veículos para dificultar a ação das forças de segurança.

A embaixada dos EUA no México emitiu um alerta aos cidadãos norte-americanos, recomendando que buscassem abrigo devido às operações de segurança em andamento e aos bloqueios nas rodovias.

Oseguera Cervantes, de 56 anos, foi designado como o principal líder do CJNG, reconhecido por sua violência e influência territorial. Em 2020, a Administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA) o colocou como um dos principais alvos, oferecendo US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. O CJNG foi incluído na lista de organizações terroristas pelo governo de Donald Trump, alterando a abordagem dos agentes norte-americanos em relação aos cartéis.

Após a prisão de Joaquín "El Chapo" Guzmán em 2017, Oseguera se tornou o alvo principal das forças antidrogas. Nascido na região de Tierra Caliente, em Michoacán, ele migrou para os Estados Unidos na década de 1980, onde se envolveu com o tráfico de drogas e foi deportado.

De volta ao México, Oseguera começou sua carreira na polícia, mas rapidamente se uniu ao narcotraficante Armando Valencia Cornelio, conhecido como "El Maradona", do cartel Los Valencia. Após a morte de um de seus fundadores em 2010, Oseguera e seu cunhado Abigael González Valencia, "El Cuini", fundaram o CJNG, que rapidamente se expandiu por grande parte do território mexicano.

O cartel se destacou no tráfico de anfetaminas e estabeleceu conexões com mercados na Ásia. Seu crescimento foi impulsionado pela captura de líderes de cartéis rivais e pelo recrutamento de especialistas em finanças e química, permitindo o desenvolvimento de novas drogas sintéticas.

A violência extrema do CJNG fez de Oseguera uma figura temida, com grande poder de fogo. Ele também diversificou suas atividades, investindo em setores como pecuária, agricultura e construção, utilizando esses negócios para lavagem de dinheiro.

Além disso, o cartel corrompeu autoridades locais, facilitando a entrada de substâncias químicas necessárias para a fabricação de drogas nos portos de Manzanillo e Lázaro Cárdenas. A extorsão de pequenos e médios negócios também se tornou uma importante fonte de renda.

Entretanto, rumores sobre a saúde de "El Mencho" circulam desde 2022, com relatos de sua morte em pelo menos duas ocasiões, embora não tenham sido confirmados. Especialistas acreditam que ele já não liderava diretamente as operações do CJNG.

Seu filho, Rubén Oseguera González, foi extraditado para os EUA em 2020, e sua esposa, Rosalinda González Valencia, foi presa em 2021, condenada em 2023, mas liberada recentemente após conseguir liberdade antecipada.


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