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Quem era 'El Mencho', o narcotraficante mais procurado do México morto em operação militar

Quem era 'El Mencho', o narcotraficante mais procurado do México

O Exército mexicano anunciou a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", no último domingo (22/2). Ele liderava o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e era um dos homens mais procurados tanto no México quanto nos Estados Unidos.

A operação que resultou em sua morte ocorreu em Tapalpa, a cerca de 130 quilômetros de Guadalajara, a capital do estado de Jalisco, que sediará quatro partidas da Copa do Mundo de 2026.

Sob sua liderança, o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

Após o anúncio da morte de El Mencho, supostos membros do crime organizado realizaram bloqueios em várias estradas nos estados de Jalisco, Michoacán e Tamaulipas, resultando em confrontos com as forças de segurança. Em Guanajuato, houve incêndios em farmácias e lojas.

As autoridades registraram mais de 60 mortes em decorrência dos confrontos, incluindo 25 membros da Guarda Nacional.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação desencadeou confrontos na região e que, como retaliação, indivíduos queimaram e bloquearam veículos em diferentes pontos do estado.

A embaixada dos EUA no México emitiu um alerta aos cidadãos americanos, recomendando que buscassem abrigo devido às operações de segurança e atividades criminosas nas regiões afetadas.

Oseguera Cervantes, de 56 anos, era considerado o principal líder do CJNG, uma organização criminosa reconhecida por sua violência e forte presença territorial. Em 2022, o governo dos EUA a classificou como organização terrorista.

A Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) colocou El Mencho como prioridade em sua lista de fugitivos mais procurados em 2020, oferecendo uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.

Após a prisão de Joaquín "El Chapo" Guzmán em 2017, Oseguera se tornou o principal alvo das forças antidrogas.

Nascido em Tierra Caliente, em Michoacán, Oseguera migrou para os Estados Unidos na década de 1980, onde foi preso várias vezes por delitos menores. No início dos anos 90, começou a se envolver com o tráfico de drogas, o que resultou em sua deportação.

De volta ao México, ele se uniu à polícia local, mas logo se integrou ao círculo de proteção do narcotraficante Armando Valencia Cornelio, conhecido como "El Maradona". Após a morte de um dos fundadores do cartel em 2010, Oseguera e seu cunhado Abigael González Valencia fundaram o CJNG, que rapidamente se expandiu.

Em poucos anos, a organização passou de uma quadrilha local para uma potência criminosa com presença em mais da metade do território mexicano.

O CJNG se destacou no mercado ilegal de anfetaminas, com ligações também no mercado de drogas asiático.

Vários fatores contribuíram para o crescimento do CJNG, incluindo a captura de líderes de cartéis rivais e o recrutamento de especialistas em finanças e química.

A violência também foi um elemento central na ascensão de El Mencho. Especialistas afirmam que ele se fortaleceu ao eliminar rivais.

Além do narcotráfico, El Mencho explorou oportunidades em setores como pecuária e construção para lavar dinheiro. O cartel também se destacou na corrupção de autoridades locais, facilitando a importação de precursores químicos necessários para a produção de drogas.

Nos últimos anos, surgiram rumores sobre seu estado de saúde, e em diversas ocasiões, sua morte foi noticiada, mas não confirmada. Especialistas suspeitam que ele não estivesse mais à frente das operações do CJNG.

Seu filho, Rubén Oseguera González, foi extraditado para os EUA em 2020, enquanto sua esposa, Rosalinda González Valencia, foi presa em 2021 e liberada em fevereiro deste ano após conseguir a liberdade antecipada.


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