Cartel de Sinaloa

Quem era ‘El Mencho’, líder do cartel mais poderoso do México morto no domingo

Quem foi ‘El Mencho’, líder do cartel mais poderoso do México

Nemesio "El Mencho" Oseguera, fundador do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), tornou-se uma figura central no narcotráfico mexicano, utilizando a violência para desafiar as autoridades e consolidar o poder do cartel.

Morto no último domingo (22), aos 59 anos, durante uma operação militar, ele era visto como o último grande narcotraficante do país, especialmente após a prisão dos líderes do Cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “Mayo” Zambada, nos Estados Unidos. O governo americano chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões por sua captura.

Considerado “violento por natureza” por especialistas como José Reveles, Oseguera atacava diretamente as autoridades, enquanto outros grupos optavam por uma postura defensiva.

Em junho de 2020, ele realizou um ataque sem precedentes contra o atual Secretário Federal de Segurança Pública, Omar García Harfuch, que resultou em ferimentos ao oficial e na morte de três pessoas, incluindo guarda-costas.

Cinco anos antes, seu cartel já havia atacado a recém-criada Gendarmaria Nacional de Jalisco, emboscando um comboio de policiais e causando destruição, com o abate de um helicóptero militar e a morte de dezenas de pessoas.

Apesar de ter aparecido em dois shows de “narcocorridos” em 2025, Oseguera era conhecido por sua discrição. Pouco se sabia sobre sua vida pessoal, e imagens dele eram raras. O cartaz de procurado do Departamento de Estado dos EUA mostrava um homem com um rosto anguloso e um bigode fino, enquanto um arquivo da DEA de 1989 mostrava uma versão mais jovem e descuidada.

Nascido em 1966 em uma família pobre em Michoacán, Oseguera imigrou para os Estados Unidos ainda jovem. Na década de 1980, foi condenado por tráfico de heroína e deportado após cumprir pena.

Ao retornar a Michoacán, uniu-se ao Cartel del Milenio, mas foi expulso devido a disputas internas. Em 2009, fundou o grupo “Mata Zetas”, que mais tarde se tornaria o CJNG. Um dos massacres mais notórios do cartel ocorreu em 2011, quando 35 corpos foram encontrados perto de uma reunião de promotores em Veracruz.

Com a extradição de “El Chapo” e “Mayo” para os Estados Unidos, o CJNG emergiu como o cartel mais poderoso do México, em um cenário onde a violência já havia ceifado mais de 450.000 vidas desde 2006.

No ano passado, o Departamento de Estado dos EUA classificou o CJNG como uma organização terrorista, destacando sua natureza transnacional e a presença em quase todo o território mexicano. O cartel foi acusado de uma série de crimes, incluindo tráfico de drogas, extorsão e roubo de petróleo.

Incapaz de competir com rivais que dominavam a fronteira com os Estados Unidos, Oseguera começou a explorar novos mercados na Europa, Ásia, África e Austrália, onde as drogas alcançavam preços mais altos.

Divorciado, Oseguera tinha três filhos. Sua ex-esposa e dois filhos foram presos, com ela sendo libertada e seu irmão, conhecido como “El Menchito”, recebendo uma sentença de prisão perpétua nos Estados Unidos.


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