Cartel de Sinaloa

Quem era "El Mencho" e por que sua morte mergulha o México em uma onda de violência

Quem era "El Mencho" e sua influência no México

Nemesio Oseguera Cervantes, aos 56 anos, conhecido como "El Mencho", nasceu na zona rural de Aguililla, em Michoacán. Nos anos 1990, atuou como policial municipal em Jalisco, mas sua carreira na lei foi curta.

Após ser deportado dos Estados Unidos por tráfico de heroína, ele subiu no submundo do crime através do Cartel do Milênio. Em 2009, fundou o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), aproveitando o vácuo de poder deixado pela morte de Nacho Coronel. Ao contrário de Joaquín El Chapo Guzmán, que buscava atenção midiática, El Mencho preferiu um controle paramilitarizado, com ações violentas e uma vida pessoal discreta, evitando luxos e comunicações eletrônicas.

Sob sua liderança, o CJNG expandiu-se de um braço do Cartel de Sinaloa para uma organização atuante em 28 dos 32 estados mexicanos, com operações em quase todos os continentes. Essa expansão foi facilitada pela captura e morte de líderes de cartéis rivais.

A organização se tornou uma transnacional com forte presença no mercado de drogas sintéticas, notável pelo uso de drones explosivos, blindados artesanais conhecidos como "monstros" e armamentos antiaéreos. O cartel também coagia e corrompia polícias locais sob o lema "plata o plomo", recrutando especialistas em finanças e química para desenvolver novas drogas.

A periculosidade de El Mencho

A periculosidade de El Mencho estava em sua disposição para confrontar diretamente o Estado. Enquanto outros cartéis buscavam negociações, o CJNG:

- Derrubou um helicóptero do exército com um lançador de granadas.
- Tentou assassinar o chefe de segurança da Cidade do México em plena luz do dia.
- Utilizou vídeos de propaganda para exibir seus "exércitos" privados, armados e uniformizados.

O cartel também esteve envolvido no assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo.

El Mencho foi morto em uma operação das forças de segurança do México no último domingo (22). A operação contou com o apoio dos EUA, que ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. Segundo o Ministério da Defesa mexicano, ele foi ferido em Tapalpa, Jalisco, e não sobreviveu ao transporte para a Cidade do México.

Consequências da morte de El Mencho

Durante a operação, vários veículos blindados e armamentos, incluindo lançadores de foguetes, foram apreendidos. Três membros do exército ficaram feridos. A ação foi realizada com o apoio de aeronaves da Força Aérea e da Guarda Nacional.

Após a morte de El Mencho, as autoridades ativaram o "código vermelho" para proteger a população, levando ao fechamento de escolas em pelo menos oito estados. A presidente Claudia Sheinbaum pediu calma à população, enquanto o país enfrentava uma explosão de violência, com bloqueios em rodovias e incêndios.

O analista de segurança nacional Gerardo Rodríguez afirmou que as autoridades previam uma reação, mas não a magnitude da resposta, que ativou células aliadas em todo o país.

Com a queda de Oseguera Cervantes, o México se vê mergulhado em uma onda de violência que levanta dúvidas sobre o futuro do cartel. A morte de El Mencho não desmantelou a logística do CJNG, e o desafio agora é se a organização se manterá unida sob um novo comando ou se se fragmentará em "cartelitos", o que pode gerar conflitos ainda mais sangrentos.

A onda de violência resultou na morte de 25 membros da Guarda Nacional e 30 integrantes de cartéis, com mais de 70 prisões e dezenas de veículos incendiados. O ministro da Segurança, Omar García Harfuch, confirmou que as mortes dos militares ocorreram em Jalisco.


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