Quem é Tercio Arnaud Tomaz, elo mais forte entre Bolsonaro e a rede de ...
Tercio Arnaud Tomaz: Conexão entre Bolsonaro e Páginas de Desinformação
Tercio Arnaud Tomaz, apontado como um dos principais laços entre o presidente Jair Bolsonaro e uma rede de páginas banidas pelo Facebook, é natural de Campina Grande, na Paraíba, e se mudou para Brasília para trabalhar com a família Bolsonaro. Recentemente, ele foi vinculado a um esquema de disseminação de informações falsas nas redes sociais que beneficiaria o presidente.
Atualmente, Tercio ocupa o cargo de assessor especial da Presidência da República, com um salário de R$ 13.623,39, e é considerado o líder do denominado "gabinete do ódio". Este termo se refere a um grupo dentro do Palácio do Planalto que, segundo acusações, se dedica a espalhar mensagens difamatórias contra opositores de Bolsonaro e gerenciar suas redes sociais. O governo, no entanto, nega a existência de tal grupo em sua estrutura oficial.
O Facebook retirou do ar uma série de perfis, páginas e grupos associados a apoiadores de Bolsonaro, tanto na plataforma quanto no Instagram, também de sua propriedade. As contas foram consideradas inautênticas, violando as diretrizes da rede social. A plataforma afirmou que essas contas estavam sendo usadas para enganar usuários sobre sua verdadeira origem.
O Laboratório Forense Digital do Atlantic Council identificou Tercio como administrador da conta de Instagram @bolsonaronewsss. Embora seu nome não apareça diretamente na página, o e-mail [email protected] foi encontrado no código-fonte, o que sugere sua administração. A BBC News Brasil localizou um perfil correspondente em um site de troca de videogames, corroborando a utilização desse e-mail por Tercio.
O conteúdo da página em questão era considerado enganoso, misturando "meias-verdades" para induzir conclusões falsas. Antes de ser excluída, a conta contava com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações.
Além disso, um relatório do Atlantic Council indicou que outra página quase idêntica, "Bolsonaro News", também publicava material semelhante, embora não tenha sido possível confirmar a administração de Tercio sobre esta.
As postagens eram feitas durante horas de expediente, levantando suspeitas de que Tercio estaria publicando enquanto trabalhava no Planalto.
A BBC News Brasil tentou contato com Tercio por e-mail para comentar as alegações, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.
A página "Bolsonaro Opressor 2.0", criada em 2015, também foi atribuída a Tercio e era conhecida por publicar memes e conteúdos agressivos contra adversários políticos. Antes de sua ligação com a família Bolsonaro, ele atuava como recepcionista em um hotel e possui formação em biomedicina.
Em 2017, Tercio trabalhou no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, recebendo R$ 2,1 mil mensais. Posteriormente, foi nomeado para o gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, com um salário de R$ 3,6 mil. Apesar de oficializado no legislativo, continuou atuando diretamente para Jair Bolsonaro.
Tercio era frequentemente visto na residência do empresário Paulo Marinho, que serviu como comitê para a campanha de Bolsonaro em 2018. Marinho declarou que Tercio acompanhava tanto Bolsonaro quanto Flávio Bolsonaro.
No início de novembro de 2018, Tercio fez o credenciamento de jornalistas para uma coletiva de imprensa de Bolsonaro, excluindo veículos como O Globo e Folha de S.Paulo.
Durante seu mandato, em agosto do ano passado, a página de Bolsonaro no Facebook compartilhou um post do perfil "Bolsonaro Opressor 2.0", atribuído a Tercio, que chamava o procurador Deltan Dallagnol de "esquerdista".
No quarto dia de governo, Tercio e outros dois foram nomeados para cargos, dando origem ao que é conhecido como "gabinete do ódio". Reportagens indicam que este grupo estaria localizado em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto.
A página "Bolsonaro Newsss", atribuída a Tercio, era conhecida por veicular conteúdo desinformativo, incluindo alegações sobre a pandemia e a eficácia da hidroxicloroquina. Publicações dessa página comparavam Fernando Haddad a Mussolini e ridicularizavam figuras como Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro.
As ações e publicações de Tercio levantam questões sobre a disseminação de desinformação e seu impacto nas redes sociais e na política brasileira.
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