Quem é Marcos do Val, senador alvo de medidas cautelares por descumprir decisão de Moraes
Marcos do Val nega ter fugido e afirma que viajou aos EUA para recesso com a filha
O senador Marcos do Val negou as acusações de fuga do Brasil, afirmando que sua viagem aos Estados Unidos foi para “curtir o recesso” com sua filha, da qual estava afastado há dois anos.
A trajetória política de Marcos do Val (Podemos-ES) é marcada por controvérsias desde sua eleição em 2018, quando se destacou com um discurso voltado para a segurança pública e recebeu apoio de Jair Bolsonaro, então candidato à presidência pelo PSL.
Em julho, o senador viajou aos Estados Unidos sem autorização, desrespeitando uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao retornar ao Brasil na manhã do dia 4, foi alvo de medidas cautelares da Polícia Federal, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Do Val alegou que notificou os órgãos competentes sobre sua viagem, mas só recebeu resposta quando já estava fora do país. Ele enfatizou que seu objetivo era apenas visitar um parque temático com a filha, sem intenção de escapar da Justiça. Atualmente, seu passaporte está apreendido, e ele utilizou um passaporte diplomático para deixar o Brasil.
Com 54 anos, Do Val é investigado no STF em um inquérito que investiga intimidações a delegados da Polícia Federal. Sua candidatura ao Senado, em 2018, foi viabilizada com 863.359 votos, numa época em que o bolsonarismo ganhava força, apesar de ter se alinhado à coligação do governador Renato Casagrande (PSB).
Durante sua campanha, o senador defendeu o endurecimento das políticas de segurança pública e, em sua trajetória, declarou apoio a Jair Bolsonaro, contrariando a posição oficial do PPS, que apoiava Geraldo Alckmin.
Sete meses após assumir o cargo, ele se filiou ao Podemos. Seu mandato vai até 2027, a menos que consiga a reeleição.
Antes da política, Do Val serviu no Exército, fundou uma empresa de treinamento policial e afirma ter sido instrutor da SWAT, a unidade especial da polícia dos Estados Unidos.
Em julho de 2022, ele revelou ao Estadão ter recebido R$ 50 milhões em emendas do orçamento secreto em troca de apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à presidência do Senado em fevereiro de 2021.
Em fevereiro de 2023, Do Val revelou ter recebido do ex-deputado federal Daniel Silveira uma proposta para grampear uma conversa com Alexandre de Moraes, com a intenção de obter declarações que comprometesse a lisura das eleições de 2022, quando Moraes presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Quatro meses depois, em junho, ele foi alvo de uma operação da PF por divulgar documentos sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), resultando em restrições em suas redes sociais.
O senador também é investigado por supostamente coordenar ataques contra Flávio Dino, ministro do STF, com quem teve embates em 2023, quando Dino era ministro da Justiça no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante um desses conflitos, o ministro ironizou Do Val, dizendo: “Se o senhor é da SWAT, eu sou dos Vingadores”.
← Voltar para as notícias