Quem é Marcos do Val, senador alvo da PF que usará tornozeleira eletrônica
Ação da PF contra Marcos do Val
Nesta segunda-feira (4), a Polícia Federal realiza uma operação direcionada ao senador Marcos do Val (Podemos-ES). Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o senador será monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica.
Além da medida de monitoramento, do Val deverá entregar todos os seus passaportes. Ele foi abordado pela ação policial no Aeroporto Internacional de Brasília ao desembarcar de um voo vindo dos Estados Unidos.
Apesar da ordem do Supremo para entregar os passaportes, do Val permaneceu por dez dias nos EUA. O senador justificou que a viagem foi possível devido ao seu passaporte diplomático, que ainda não havia sido entregue à Justiça, utilizado por autoridades em serviço oficial.
Marcos do Val, de 54 anos, é natural de Vitória, no Espírito Santo. Ele serviu como militar no Exército Brasileiro, no 38º Batalhão de Infantaria, em Vila Velha.
O senador é fundador do Centro Avançado em Técnicas de Imobilizações (Cati), que desenvolve táticas de imobilização para agentes de segurança pública e privada. Ele afirma ser mestre em aikido, uma arte marcial japonesa, com credenciamento pela federação internacional.
Em sua biografia, do Val menciona que sua empresa treinou agentes da SWAT, NASA, FBI, Navy SEALs, e do Vaticano, além de mais de 120 corporações policiais de diversos países.
Ele também participou do treinamento de atores e figurantes do filme "Tropa de Elite", com exercícios em favelas e outras atividades militares.
O senador possui títulos honorários da SWAT de Beaumont, no Texas, e de mestre e doutor honoris causa em artes marciais por instituições nos EUA.
Em 2018, do Val foi eleito pela primeira vez, obtendo 863 mil votos e conquistando a segunda vaga de senador pelo Espírito Santo, inicialmente pelo PPS, que se tornou Cidadania. Em 2019, trocou o partido pelo Podemos.
No Congresso Nacional, ele atuou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), e foi vice-presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC).
Em 2021, destacou-se na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, defendendo as ações do governo Bolsonaro.
Em agosto de 2024, a PF esteve em um endereço do senador para apreender seus passaportes, incluindo o diplomático, mas não conseguiu localizá-lo.
A suspensão do passaporte foi decidida após suspeitas de que do Val fazia parte de um grupo que buscava intimidar policiais federais. Em julho deste ano, após uma viagem aos EUA, Moraes determinou o bloqueio de contas bancárias, chaves Pix e cartões do senador.
*Publicado por Lucas Schroeder, com informações de Elijonas Maia, Davi Vittorazzi, Douglas Porto e Luísa Martins*
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