Quem é Carlos Jordy, alvo de operação da PF por suspeita de desvios na cota parlamentar
A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira, 19, uma ação para investigar possíveis desvios na cota parlamentar de dois deputados do Partido Liberal (PL): o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e Carlos Jordy (RJ).
Em um vídeo nas redes sociais, Jordy declarou que, desde o início de seu mandato, tem feito pagamentos à empresa em investigação para aluguel de veículos. Ele ressaltou que Sóstenes também utiliza os serviços da mesma locadora, assim como outros parlamentares. “Isso é mais do que uma tentativa de intimidação, é uma pesca probatória. Não vou me deixar abalar”, afirmou. Sóstenes negou qualquer irregularidade, alegou ser alvo de perseguição e criticou informações do Coaf.
Os endereços dos dois deputados foram alvo de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Jordy mencionou que os policiais também realizaram buscas na casa de seus pais.
O advogado Jeffrey Chiquini, que representa Jordy, argumentou que a ação foi motivada pelo fato de a empresa de locação ter apenas cinco veículos, enquanto concorrentes possuem 20 ou mais. “Qual é a culpa do deputado se a empresa tem apenas cinco carros e aluga um para ele? Que culpa ele tem se a empresa não é bem-sucedida?”, questionou. Segundo o advogado, Jordy tinha apenas R$ 2 mil em casa.
No flat onde Sóstenes reside em Brasília, os investigadores encontraram R$ 430 mil em espécie.
Jordy, de 43 anos, é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e possui formação em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí.
Atualmente, ele está em seu segundo mandato na Câmara. Antes, atuou como vereador em Niterói de 2017 a 2019. No ano passado, o parlamentar disputou a Prefeitura de Niterói, obtendo 42,8% dos votos no segundo turno, mas foi superado por Rodrigo Neves (PDT-RJ), que foi reeleito para seu terceiro mandato.
Conforme informações disponíveis no portal da Câmara, neste ano, Jordy gastou R$ 486.516,22 da cota parlamentar, o que representa 95,71% do total a que tem direito.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) é um benefício que visa cobrir despesas do mandato, como aluguel de escritório, passagens aéreas, alimentação, aluguel de veículos e combustível. O valor mensal varia conforme o estado de origem do parlamentar. Atualmente, deputados do Rio de Janeiro, como Jordy, recebem até R$ 41.553,77 por mês.
Após a entrada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pela presidência em 2026, Jordy passou a ser cotado para uma vaga no Senado. Em suas redes sociais, ele afirmou estar “pronto e à disposição”.
A operação, denominada Galho Fraco, é um desdobramento de uma investigação iniciada no final do ano passado sobre repasses da cota parlamentar a uma locadora de veículos. O Estadão revelou que a empresa sob investigação recebeu R$ 915 mil.
Na fase inicial, a PF focou em assessores dos parlamentares e coletou informações sobre os contratos. Com o progresso das investigações, a nova etapa passou a direcionar os esforços diretamente aos deputados.
De acordo com a PF, agentes públicos, servidores comissionados e particulares teriam colaborado para desviar e ocultar recursos públicos. As investigações sugerem que os desvios ocorriam por meio de pagamentos à locadora, que, segundo os investigadores, seria uma fachada para a devolução de dinheiro da cota parlamentar.
Os dados apurados indicam que um assessor de Sóstenes movimentou R$ 11 milhões em débitos e R$ 11 milhões em crédito, com maior concentração nos anos de 2023 e 2024. “Parte expressiva dessas transações permanece sem identificação de origem ou destino, especialmente aquelas classificadas como ‘pagamentos diversos’ e ‘lançamento avisado’”, destaca o relatório.
Além disso, a PF revelou que um assessor de Jordy movimentou R$ 5,9 milhões em créditos e o mesmo valor em débitos, valores que são considerados incompatíveis com sua capacidade econômica.
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