Augusto Lima

Quem é Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro próximo de políticos do PT

Na primeira fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) não apenas prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas também direcionou a ação contra um ex-sócio envolvido.

Augusto Ferreira Lima, um empresário baiano de 46 anos, deixou a sociedade do Master em 2024, mas teve sua prisão preventiva decretada pela PF em 18 de novembro de 2025, data em que a instituição foi liquidada. Ele se tornou um dos principais alvos da investigação devido à sua atuação como executivo do banco.

A operação investiga um esquema bilionário de emissão e negociação de títulos de crédito supostamente fraudulentos que envolvem o Banco Master e outros agentes financeiros. As irregularidades foram descobertas após o anúncio da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A fraude é estimada em R$ 12,2 bilhões, podendo ser ainda maior. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), classificou a situação como o maior escândalo financeiro do país.

PF investiga atuação de Augusto Lima no Master

Lima foi detido em Salvador junto a outros executivos. Como ex-CEO do Master, ele é visto pela PF como uma figura central por ter introduzido um dos principais produtos do banco: o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos pilares da estratégia da instituição.

Antes de sua prisão, Lima deixou a sociedade do Master em maio de 2024 e, em agosto de 2025, assumiu o controle do Banco Pleno S.A., antigo Banco Voiter, onde concentrou os negócios de crédito consignado desenvolvidos sob sua liderança.

Trajetória empresarial levou Lima ao Master antes de sociedade

A trajetória de Augusto Lima no setor financeiro começou com a aquisição, em 2018, da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante a privatização promovida pelo ex-governador Rui Costa (PT). Ele pagou cerca de R$ 15 milhões pelo ativo e assumiu os passivos da empresa.

A partir de então, Lima reestruturou o setor financeiro vinculado ao Cesta do Povo, transformando o cartão da rede em um produto de crédito consignado. O Credcesta teve forte adesão entre servidores públicos e aposentados, tornando-se um dos ativos mais lucrativos do Banco Master após sua entrada na sociedade com Vorcaro em 2020.

Antes mesmo de formalizar a sociedade, Lima já havia integrado a operação do Credcesta ao banco, fazendo com que o cartão e a oferta de crédito consignado fossem centrais na estratégia de expansão da instituição. Em 2024, o produto estava disponível em 176 municípios de 24 estados.

Saída do Master teria ligação com operações de Vorcaro

Embora tenha sido sócio de Vorcaro e contribuído para a expansão do Banco Master, fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmaram que a relação entre Lima e Vorcaro "nunca foi próxima". Segundo essas fontes, Lima teria solicitado sua saída da sociedade após tomar conhecimento de operações consideradas questionáveis no banco.

Em maio de 2024, Augusto Lima formalizou sua saída do Banco Master, transferindo para Daniel Vorcaro todas as suas ações. No entanto, em janeiro de 2026, o nome de Lima ainda constava como diretor do Master no site da Receita Federal, conforme relatado pela Folha de S.Paulo.

Credcesta nasceu na Bahia durante gestão do PT

A expansão de Augusto Lima no mercado financeiro esteve intimamente ligada ao ambiente político da Bahia. Sua entrada na Ebal ocorreu sob a gestão do ex-governador Rui Costa, enquanto Jaques Wagner (PT-BA) liderava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado. Wagner conheceu Lima em 2017, no contexto da privatização da Ebal.

Essas conexões foram reforçadas pela adoção do Credcesta em programas voltados a servidores públicos estaduais, com distribuição de cartões a partir de 2019.

Fontes indicaram que a expectativa de um depoimento de Lima à PF, no fim de janeiro de 2026, gerou apreensão no Palácio do Planalto. Suas relações com o petismo baiano poderiam conectar a investigação a quadros políticos da esquerda em Brasília e no interior do estado.

Em conversas recentes, Augusto Lima afirmou que não tem o que relatar e que se considera injustiçado com os desdobramentos do caso Master, argumentando que o ocorrido é fruto do incômodo no mercado financeiro com o sucesso do Credcesta.

Casamento ampliou relações de Lima com políticos da direita

Lima se casou em janeiro de 2024 com Flávia Peres, ex-esposa do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Flávia foi deputada federal pelo Partido Liberal (PL) em 2018 e ocupou o cargo de ministra na Secretaria de Governo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Após se afastar do PL e da família Bolsonaro, Flávia se dedicou à ONG Terra Firme, fundada por Augusto Lima, voltada ao combate à pobreza.

Além disso, a trajetória empresarial de Lima na Bahia o aproximou de lideranças da direita, como o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). Ele também mantém relações com o presidente do PL na Bahia, João Roma, reforçando seu trânsito político.

Compra do Voiter reacende questionamentos sobre o Banco Central

Após deixar o Master, Augusto Lima liderou a aquisição do Banco Voiter, que tinha passado ao controle do Master em fevereiro de 2024. A operação resultou na reestruturação da instituição e, em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência de controle para Lima, que renomeou a instituição como Banco Pleno S.A.

Com a compra do Voiter, Lima também adquiriu a corretora Intercap e retomou o controle do Credcesta. Contudo, após o avanço da Operação Compliance Zero, ele foi afastado do comando do banco.

As investigações, que estão sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), levantaram questionamentos sobre a aquisição do Voiter. O Banco Central já tinha indícios de irregularidades no Master quando autorizou a transferência de controle do Voiter para Lima.

Naquele período, o BC negou a transferência de outra instituição relacionada ao Master, o Lestbank, para outro ex-sócio, Maurício Quadrado, devido à falta de comprovação de capacidade financeira e origem lícita dos recursos.

Pessoas ligadas ao Banco Central informaram que a transferência do Voiter para Augusto Lima teve sustentação legal, embora técnicos do BC tenham questionado Lima sobre


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