Augusto Lima

Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Vorcaro no Banco Master

Contexto da CPI do Master e a Resistência da Cúpula

A maioria dos parlamentares demonstra apoio à criação de uma CPI sobre o Master, mas a cúpula do Congresso resiste. As justificativas de quem se opõe à formação da comissão são diversas e reveladoras.

Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi proprietário do Banco Pleno, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) na manhã de 18 de outubro de 2023.

Lima, de 46 anos, é natural de Salvador e está casado há dois anos com a ex-deputada federal Flávia Peres, que ocupou o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Governo entre 2021 e 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O banqueiro mantém laços estreitos com líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, como os ex-governadores Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e Jacques Wagner, senador. Além disso, ele também desenvolveu uma boa relação com figuras do centro e da direita, incluindo os ex-deputados Antonio Carlos Magalhães Neto (União-BA) e João Roma (PL-BA).

Em 2018, ganhou notoriedade no setor bancário ao adquirir a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), após dois leilões sem interessados, durante a privatização promovida pelo governo de Costa. Essa aquisição incluiu a empresa de crédito consignado Credcesta, que operava a rede de supermercados Cesta do Povo, voltada para a venda de produtos a preços subsidiados. Lima continua a gerir esse negócio no estado.

Após o leilão, o governo da Bahia permitiu que servidores públicos e pensionistas realizassem compras na Cesta do Povo utilizando recursos do Credcesta, que também recebeu autorização para expandir suas operações financeiras, resultando em um crescimento acelerado da empresa.

No ano seguinte, Lima tornou-se sócio do Master, que incorporou o Credcesta. Essa junção visava ampliar a atuação do Credcesta, enquanto o Master buscava alcançar as classes populares.

Em maio de 2024, Lima se desligou das funções executivas do Master e vendeu sua participação a Vorcaro, inicialmente planejando criar uma operação própria.

Em agosto de 2024, o BC anunciou a aprovação da transferência do controle do Banco Voiter, parte do conglomerado Master, para Lima, que passou a operar como Banco Pleno. Três meses depois, o Master foi liquidado extrajudicialmente.

O Banco Pleno tinha a intenção de atuar no segmento de crédito consignado. Durante esse período, obteve aprovação para dois aumentos de capital, de R$ 80 milhões cada, além de operações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Apesar de ter se afastado do Master, Lima foi preso em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF), no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Master. A liquidação do banco ocorreu no mesmo dia.

A defesa de Lima alegou ter sido surpreendida pela operação, ressaltando que ele já havia se desligado de suas funções no Master em maio de 2024. Ele foi liberado cerca de duas semanas depois, por decisão judicial.

Além da liquidação do Pleno, o BC também instituiu regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Pleno DTVM), parte do grupo.

A autarquia informou que a liquidação extrajudicial se deveu à deterioração da situação econômico-financeira da instituição, comprometendo sua liquidez e infringindo normas regulatórias.


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