'Que tenha um resultado positivo', diz família de Marielle sobre julgamento de mandantes 8 anos após assassinato
Família de Marielle aguarda julgamento dos mandantes após 8 anos do assassinato
A Primeira Turma do STF inicia nesta terça-feira (24) o julgamento dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e do delegado Rivaldo Barbosa, suspeitos de terem mandado assassinar a vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018 no Rio de Janeiro.
A expectativa da família de Marielle é que o Supremo ofereça uma resposta definitiva sobre os mandantes do crime, ocorrido há quase oito anos. Marinete Silva, mãe de Marielle, expressou sua esperança: "Depois de oito anos, não tem como a gente não esperar que tenha um resultado positivo em relação aos mandantes. Tem se arrastado aos anos todos."
Antônio Francisco, pai da vereadora, ficou surpreso com a implicação do delegado Rivaldo Barbosa, que era o chefe de polícia na época. Ele afirmou: "Ele se dizia amigo da Marielle, então nós acreditamos que ele realmente iria resolver a nossa situação."
Os executores do assassinato, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, foram condenados em outubro de 2024 a penas de 78 e 59 anos de prisão, respectivamente.
Os irmãos Brazão e o delegado foram detidos em março do ano passado, sendo apontados como os responsáveis pela execução da parlamentar. Eles negam as acusações.
Marinete ressaltou que o envolvimento do delegado foi uma grande surpresa para a família. "Para mim foi uma surpresa. O doutor Rivaldo naquela época bateu nas nossas costas e prometeu que era uma questão de honra resolver o caso da minha filha", disse.
Passados quase oito anos do crime, a família ainda não consegue identificar a motivação por trás do assassinato. Luyara, filha de Marielle, comentou sobre a transformação que a perda de sua mãe trouxe à sua vida. "Eu tinha 19 anos quando aconteceu, virei mulher do dia para a noite com o tamanho da responsabilidade de carregar esse legado sendo a única filha", afirmou, ao destacar seu compromisso com a luta pelos direitos humanos.
Além dos mandantes, os executores da vereadora foram condenados em outubro de 2024. Ronnie Lessa, autor dos disparos, recebeu uma pena de 78 anos e 9 meses, enquanto Élcio Queiroz, motorista do veículo usado no ataque, foi condenado a 59 anos e 8 meses.
De acordo com o blog do Valdo Cruz, o julgamento dos mandantes é visto como uma chance para o STF abordar um tema de grande apoio popular, ajudando a aliviar a tensão no tribunal.
Marielle Franco em imagem de fevereiro de 2017 — Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/AFP/Arquivo
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