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Quanto mais a guerra se prolonga, maior é o risco de terrorismo e ações de aliados do Irã pelo mundo, diz ex-subsecretário de Estado do governo Trump

Quanto mais a guerra se prolonga, maior é o risco de terrorismo e ações de aliados do Irã pelo mundo, diz ex-subsecretário de Estado do governo Trump

Crédito, YAHYA ARHAB/EPA/Shutterstock

Author, Julia BraunRole, Da BBC News Brasil em Londres

Role, Da BBC News Brasil em Londres

O ex-subsecretário de Estado do governo Trump, Clarke Cooper, afirma que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã está apenas em seus primeiros dias e as linhas de comunicação entre as duas nações não foram interrompidas.

"Não pode ser dito que estamos vivenciando o começo de uma Terceira Guerra Mundial", disse Cooper, utilizando um termo técnico geralmente empregado para se referir a estratégias, tecnologias e métodos não convencionais usados ​​por uma força mais fraca para explorar as vulnerabilidades de um adversário mais forte, evitando o confronto militar direto.

Cooper também enfatizou que a decisão sobre quando o conflito acabará cabe, em grande parte, aos EUA.

"A operação militar multidomínio (com múltiplas linhas de ação) muito bem-sucedida. Mas, no fim das contas, é preciso considerar por quanto tempo isso será sustentável. E os desafios e riscos aumentam com o tempo", disse.

O diplomata acusou o governo Trump de não querer levar a operação contra o Irã para "a terra", ou seja, enviar tropas para combater diretamente no país, ao invés de contar apenas com o poder aéreo.

"Trump, não só pela sua experiência como presidente, mas também como cidadão americano, testemunhou as guerras em que eu e meus colegas lutamos, guerras que exigiram tropas terrestres persistentes e de longa duração. E isso é algo que eu sei, com base na minha experiência como secretário de Estado Adjunto, que ele não deseja repetir", disse.

Cooper também destacou a posição dura do governo Trump em relação ao Irã e seu programa nuclear, que ele considera uma ameaça constante.

"Além disso, há o uso da disrupção do comércio global, particularmente no setor marítimo, como forma de vantagem", disse.

Para Cooper, a opinião do presidente Trump sobre o conflito é apenas uma parte do panorama, pois ele também expressou críticas direcionadas ao governo Trump em torno da legalidade das ações recentes contra o Irã.

"Isso remonta ao primeiro mandato do presidente [Joe] Biden, ao primeiro mandato de Trump, ao primeiro mandato do presidente [Barack] Obama, ao primeiro mandato do presidente [George W.] Bush. Quer dizer, podemos continuar até o primeiro mandato do presidente [Jimmy] Carter", afirma.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou os ataques aéreos dos EUA e de Israel, considerando que violaram o direito internacional, incluindo a Carta da ONU.

O diplomata também destacou que a operação contra o Irã é ilegal, argumentando que apenas o Congresso tem autoridade para declarar guerra.

No entanto, como comandante-em-chefe das Forças Armadas, o presidente dos EUA pode conduzir determinadas operações militares sem uma declaração formal de guerra.

Em seu primeiro pronunciamento após o início dos ataques contra o Irã, Donald Trump afirmou que os objetivos principais da operação eram destruir as capacidades de mísseis do Irã, aniquilar a Marinha iraniana, impedir que o país desenvolva armas nucleares e garantir que o regime não possa continuar a armar, financiar ou dirigir "exércitos terroristas" fora de suas fronteiras.

Antes dos EUA lançarem sua ofensiva militar, Marco Rubio, o secretário de Estado, disse que a decisão de atacar foi tomada após os EUA tomarem conhecimento sobre uma operação iminente de Israel contra o Irã, levando a acusações de versões conflitantes.


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