Sapucaí

Quando as luzes da Sapucaí se apagam, as escolas de samba iniciam disputa

Após o Desfile das Campeãs, a rotina do Carnaval continua intensa para os envolvidos. Com o encerramento das apresentações na Marquês de Sapucaí, dá-se início a um período crucial para as agremiações do Grupo Especial.

Carnavalescos, diretores de barracão, presidentes, mestre-salas, portas-bandeiras, intérpretes e mestres de bateria se reúnem para planejar o espetáculo do próximo ano, sempre atentos ao que foi bem-sucedido e ao que não funcionou na Avenida.

Nesse cenário de telefonemas discretos e reuniões reservadas, as escolas realizam trocas de profissionais e formam suas equipes para o novo ciclo.

A matemática envolvida é complexa, levando em conta notas, décimos perdidos e oscilações nos quesitos. “É o período mais estratégico para todas as escolas”, destaca Célia Domingues, vice-presidente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas.

Segundo ela, as principais estrelas do show desempenham um papel fundamental na identidade artística de cada projeto. A escolha de um novo contratado vai além de uma simples mudança; reflete a orientação estética, a ambição narrativa, e pode indicar uma nova ousadia ou um retorno às tradições da agremiação.

Após uma décima posição entre as doze escolas, a Portela contratou Paulo Barros, que foi responsável pelo último campeonato da Azul e Branco em 2017, prometendo trazer sua marca autoral de volta.

Entre os profissionais mais procurados está Tarcísio Zanon, da Viradouro, que venceu três carnavais do Grupo Especial nos últimos seis anos. Com seu contrato renovado, ele ressalta a importância das permanências em um mercado que valoriza resultados. “Estou muito feliz por dar continuidade ao trabalho de uma equipe vencedora”, afirma Zanon.

No atual cenário profissional, um carnavalesco de alto nível pode receber cerca de 600 mil reais por ano. Este grupo inclui não apenas Zanon, mas também Leandro Vieira, que permanece na Imperatriz Leopoldinense, e Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que seguem na Vila Isabel.

Mudanças também ocorrem no coração das escolas. O pavilhão da Rainha de Ramos, com nove títulos, será defendido por um novo casal de mestre-sala e porta-bandeira em 2027: Matheus Miranda e Bruna Santos.

“É um misto de sentimentos… O frio na barriga diante do desafio, a felicidade por ter a oportunidade de conhecer a Nação Leopoldinense, e a certeza de que seremos felizes juntos, honrando o legado de Chiquinho e Maria Helena”, comenta Bruna, que deixou a Mocidade.

Miranda, ex-Unidos da Tijuca, completa: “É emocionante chegar a uma escola gigante e reescrever minha história ao lado da Bruna”.

O processo de transformação está apenas começando, e muitas novidades ainda estão por vir. Como mencionou Luiz Antonio Simas, no Carnaval, o fim sempre marca um novo começo.

Trocas e renovações para o próximo ciclo

O casal de mestre-sala e porta-bandeira Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro deixou a Imperatriz Leopoldinense.

Zé Paulo Sierra, ex-Portela, cantará apenas na União de Maricá, promovida à elite em 2027.

Bruna Santos, ex-primeira porta-bandeira da Mocidade, se juntará a Matheus Miranda na Imperatriz.

A Portela anunciou seu novo intérprete, Bruno Ribas, que em 2026 defendeu o samba da Unidos de Padre Miguel. Paulo Barros será novamente o carnavalesco da Águia.

A Unidos de Vila Isabel renovou com seus carnavalescos, intérprete e mestre de bateria, sinalizando a continuidade de sua linha artística.

Ito Melodia, voz da Inocentes de Belford Roxo, em 2026, emprestará seu talento à Grande Rio.


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