Qualicorp (QUAL3) desaba mais de 12% após 4T reforçar desafios; o que desagradou?
Ações da Qualicorp (QUAL3) caem mais de 12% após resultados do 4T
As ações da Qualicorp (QUAL3) apresentaram uma forte queda nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, após a divulgação de um prejuízo no quarto trimestre, revertendo o desempenho positivo do ano anterior. As ações fecharam com uma desvalorização de 12,24%, cotadas a R$ 2,15.
O EBITDA ajustado menos o CAC (custo de aquisição de clientes) da companhia no 4T25 cresceu 14% em relação ao ano anterior, superando em 13% as expectativas do Goldman Sachs, impulsionado por margens mais favoráveis.
As adições líquidas de beneficiários foram negativas, com uma redução de 37 mil vidas. Apesar disso, essa estratégia de limpeza de portfólio pode ser vista como um passo positivo.
O churn, que se refere aos cancelamentos de clientes, atingiu -72 mil beneficiários no trimestre, o que representa 12,7% da base total, uma piora de 1,7 ponto percentual em comparação ao 4T24. Essa situação foi influenciada pelo encerramento de contratos com duas pequenas operadoras de saúde, o que pode ser interpretado como uma medida para aumentar o LTV (Lifetime Value) dos clientes.
As adições brutas também foram fracas, totalizando +35 mil no trimestre, comparadas a +58 mil no 4T24, refletindo um cenário competitivo desafiador, especialmente no setor de PME (Pequenas e Médias Empresas).
O CAC recuou para 8,1%, embora a empresa tenha desembolsado R$ 15 milhões em um acordo de exclusividade com uma nova operadora, um valor que não afeta esse indicador.
De acordo com o Goldman Sachs, a dinâmica do FCFE (fluxo de caixa livre para acionista) continua a ser um ponto positivo, com a empresa terminando 2025 com um FCFE recorrente de R$ 298 milhões, equivalente a um yield de 43%. A recomendação do banco permanece neutra, com preço-alvo de R$ 2,50.
O JPMorgan considerou que os resultados do 4T25 foram mais fracos do que o esperado, com crescimento abaixo do projetado, um resultado financeiro negativo e uma carga tributária maior relacionada à venda da Gama. No entanto, a margem bruta superou as expectativas, refletindo iniciativas de eficiência.
A venda da Gama Saúde, por aproximadamente R$ 160 milhões, começou a impactar positivamente o fluxo de caixa, com o recebimento da primeira de 60 parcelas em novembro de 2025. O banco aponta que a baixa visibilidade sobre a evolução da base de clientes e a estabilização das receitas, junto a riscos regulatórios, sustentam a recomendação de underweight para a ação.
Segundo o Itaú BBA, a Qualicorp apresentou uma fraca tendência de receita, resultado da combinação entre menores adições brutas e um aumento no churn, que foi impactado pela descontinuação das operações de duas operadoras de pequeno porte. Este movimento resultou em uma perda líquida sequencial mais acentuada e constituiu um obstáculo à recuperação da base de clientes.
Além disso, a desconsolidação das operações da Gama e do segmento Corporate no trimestre também afetou a receita líquida.
Por outro lado, a rentabilidade da empresa foi melhor do que o esperado, principalmente devido à redução das despesas variáveis, como menores gastos com comissões e provisões para inadimplência. O Itaú BBA manteve a recomendação de market perform, com preço-alvo de R$ 2,8.
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