'Qual é o lazer de um pobre?', diz deputado e bispo da Igreja Universal ao criticar o fim da escala 6×1
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‘Qual é o lazer de um pobre?’, diz deputado e bispo da Igreja Universal ao criticar o fim da escala 6×1
A declaração do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, gerou polêmica ao sugerir que trabalhadores de baixa renda não saberiam aproveitar seu tempo livre.
Em Manaus (AM), o deputado federal e bispo da Igreja Universal se manifestou contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa eliminar a escala de trabalho 6×1, onde o funcionário trabalha seis dias seguidos para ter um dia de descanso. Em suas palavras, ele afirmou que mais tempo livre poderia resultar em consequências sociais negativas, especialmente para os menos favorecidos.
“Ócio demais faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar”, disse Pereira, questionando: “Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? O que ele vai fazer lá na folga?”
As falas repercutiram rapidamente nas redes sociais e entre representantes de centrais sindicais, que consideraram o discurso estigmatizante por associar o descanso à vulnerabilidade social. Os críticos ressaltaram que o tempo livre é frequentemente utilizado para convívio familiar, descanso físico, atividades religiosas e engajamento comunitário.
A PEC em discussão visa modificar a jornada de trabalho predominante em setores como comércio e serviços, onde a escala 6×1 é comum. Defensores da proposta argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir afastamentos por problemas de saúde e equilibrar a vida profissional e pessoal.
Por outro lado, representantes empresariais alertam que o fim da escala aumentaria os custos operacionais e afetaria a competitividade, especialmente em áreas que precisam operar continuamente.
Ao criticar a proposta, Pereira se alinhou aos empresários, afirmando que a alteração poderia impactar negativamente a economia. No entanto, sua menção ao risco de envolvimento com drogas e jogos de azar ampliou o debate, levando a discussões que vão além do aspecto econômico.
A declaração também levantou questões sobre a coerência entre o discurso político e os valores religiosos frequentemente defendidos pelo deputado, que construiu sua trajetória pública com base em princípios cristãos e familiares.
Analistas preveem que a discussão sobre a escala 6×1 deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que a proposta avance nas comissões da Câmara. O tema mobiliza sindicatos, entidades patronais e lideranças políticas, e deve enfrentar polarizações significativas antes de uma possível votação em plenário.
Enquanto a proposta não entra na pauta oficial, o embate evidencia que a discussão sobre jornada de trabalho no Brasil continua marcada por visões divergentes sobre produtividade, direitos sociais e a função do Estado na regulação das relações trabalhistas.
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