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Qual a origem da rivalidade entre Israel e Irã

A origem da rivalidade entre Israel e Irã

Os recentes ataques de Israel ao Irã, em colaboração com os Estados Unidos, marcam mais um capítulo em uma rivalidade que já dura décadas.

Essa disputa, que se intensifica com o cenário geopolítico, se tornou uma das principais fontes de instabilidade no Oriente Médio. Para Teerã, Israel é considerado o "pequeno Satanás," aliado dos Estados Unidos, que é visto como o "grande Satanás."

Israel, por sua vez, acusa o Irã de tentar desenvolver armas nucleares e de financiar grupos rotulados como "terroristas," além de realizar ataques motivados pelo antissemitismo.

Na manhã de um sábado recente, o governo israelense anunciou uma série de ataques coordenados com os EUA como parte da operação "Fúria épica". O Exército israelense atacou pelo menos cinco cidades iranianas, incluindo Teerã, Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Embora o gabinete do líder supremo do Irã também tenha sido alvo, o governo iraniano afirmou que seus líderes não foram atingidos.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma "resposta esmagadora," argumentando que os ataques ocorreram durante conversas com Washington.

Historicamente, as relações entre Israel e o Irã foram amigáveis até 1979, quando a Revolução Islâmica levou os aiatolás ao poder. Embora o Irã tenha inicialmente se oposto à criação do Estado de Israel em 1948, foi o segundo país islâmico a reconhecê-lo, após o Egito. Na época, o Irã era um aliado dos Estados Unidos e dos regimes ocidentais.

Após a revolução, o novo regime iraniano rompeu relações com Israel, não reconhecendo mais a validade de passaportes israelenses e ocupando a embaixada de Israel em Teerã, que foi cedida à Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

A aversão ao Irã por parte de Israel começou a crescer na década de 1990, quando o regime iraniano enfrentava a Arábia Saudita e se via isolado no mundo islâmico majoritariamente sunita. Israel começou a perceber o Irã como uma das maiores ameaças à sua existência.

O regime iraniano, por sua vez, desenvolveu uma rede de organizações alinhadas a Teerã, que realizam ações armadas em defesa de seus interesses. O Hezbollah, no Líbano, é um dos grupos mais proeminentes. A rivalidade entre os dois países evoluiu para uma "guerra nas sombras", com ataques mútuos frequentemente negados por ambos os lados.

Em 1992, o grupo Jihad Islâmico, próximo ao Irã, atacou a embaixada israelense em Buenos Aires, resultando em 29 mortes. Israel, por sua vez, buscou desmantelar o programa nuclear iraniano, acreditando que ele não tinha fins apenas civis. O vírus de computador Stuxnet, desenvolvido em colaboração com os EUA, causou danos significativos às instalações nucleares iranianas.

A guerra civil na Síria, iniciada em 2011, também contribuiu para o aumento das tensões, com o Irã apoiando o presidente Bashar Al-Assad. Israel teme que o Irã esteja enviando armamentos ao Hezbollah por meio da Síria.

Desde os ataques de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas, e a resposta militar de Israel em Gaza, a preocupação com um confronto aberto entre Irã e Israel aumentou. Em 1º de abril de 2024, um ataque aéreo israelense ao consulado iraniano na Síria resultou na morte de dois generais iranianos, levando o Irã a retaliar com um ataque a Israel em 13 de abril.

A situação se tornou ainda mais tensa a partir de junho de 2025, com uma ofensiva israelense contra alvos iranianos ligados ao programa nuclear. Os bombardeios recentes levantaram mais incertezas sobre o futuro do conflito.

Este conteúdo foi publicado originalmente em 8 de abril de 2024 e atualizado em 28 de fevereiro após os ataques de Israel e EUA ao Irã.


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