Quais as consequências da guerra com o Irã para os preços do petróleo e a economia global
Consequências do Conflito com o Irã para os Preços do Petróleo e a Economia Global
Os preços do petróleo no mercado global experimentaram um aumento significativo em meio aos ataques do Irã no Oriente Médio, em resposta a bombardeios realizados pelos EUA e Israel.
O petróleo tipo Brent, referência internacional, viu sua cotação subir 10% na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira, chegando a mais de US$ 82 o barril. Embora os preços tenham recuado durante a manhã, analistas alertam que a situação pode mudar drasticamente se o conflito se prolongar.
A reação do mercado foi imediata após a informação de que pelo menos três navios foram atacados perto do Estreito de Ormuz, uma rota crucial pela qual transita cerca de 20% do petróleo e gás mundial. O Irã emitiu avisos para embarcações, resultando em uma paralisação quase total do tráfego na região.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou que duas embarcações foram atingidas e que um "projétil desconhecido" explodiu nas proximidades de uma terceira.
Após a alta inicial, o preço do barril caiu para US$ 79, enquanto o petróleo WTI, negociado nos EUA, subia cerca de 7,6%, alcançando US$ 72,20.
Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Marquee, afirmou que não há pânico no mercado. Ele destacou que, até o momento, a infraestrutura de transporte e produção de petróleo não foi um alvo primário.
Kavonic também mencionou que o mercado está atento a sinais de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, o que poderia levar a uma nova queda nos preços.
Robin Mills, ex-executivo da Shell e diretor da consultoria Qamar Energy, ressaltou que os preços atuais do petróleo ainda estão abaixo dos níveis de dois anos atrás, indicando que não estamos em uma crise total.
No domingo, a Opep+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia, buscando mitigar possíveis aumentos de preços. No entanto, alguns analistas indicam que essa medida pode não ser suficiente se o conflito persistir, o que poderia levar os preços a ultrapassar US$ 100, afetando a inflação global e as taxas de juros.
Edmund King, presidente da Associação de Automóveis Britânica, alertou que a instabilidade no Oriente Médio pode interromper a distribuição de petróleo, resultando em aumentos nos preços dos combustíveis.
Subitha Subramaniam, economista-chefe da Sarasin & Partners, destacou que, com um aumento contínuo do preço do petróleo, o impacto se estenderá a outros setores, como alimentos e commodities, pressionando a inflação e levando bancos centrais a considerar elevações nas taxas de juros.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que três petroleiros foram atingidos e estão em chamas, com as embarcações supostamente sendo do Reino Unido e dos EUA, que não se pronunciaram.
A Organização Marítima e de Transporte Marítimo do Reino Unido alertou sobre "múltiplos incidentes de segurança" na região, recomendando cautela aos navios.
Pelo menos 150 petroleiros ancoraram em águas abertas do Golfo e na região do Estreito de Ormuz. A plataforma de rastreamento de navios Kpler também reportou que embarcações iranianas e chinesas transitaram pela área recentemente.
Homayoun Falakshahi, da Kpler, comentou que, devido às ameaças do Irã, o estreito está efetivamente fechado, com os custos de seguro aumentando e riscos elevados para as embarcações.
Caso os EUA tentem proteger as rotas de navegação, isso poderia evitar um aumento significativo no preço do petróleo. No entanto, se o estreito permanecer fechado por muito tempo, os preços poderão subir consideravelmente.
A UKMTO também relatou incidentes envolvendo projéteis em embarcações de várias bandeiras e confirmou a evacuação da tripulação de um navio, sem divulgar detalhes adicionais.
O grupo dinamarquês Maersk anunciou que suspenderá as viagens pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez, redirecionando navios ao Cabo da Boa Esperança.
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