Putin alerta para conflito regional em conversas com líderes do Golfo
Putin alerta sobre riscos de conflito no Golfo
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, realizou na segunda-feira (2) conversas com quatro líderes significativos do Golfo Pérsico, destacando o risco de que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã possam escalar para um conflito regional.
Após a conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, o Kremlin divulgou que "ambas as partes expressaram séria preocupação com o risco real de expansão da zona de conflito, que já impactou diversos países árabes e pode trazer consequências catastróficas".
Putin salientou a importância da diplomacia para enfrentar uma "situação extremamente perigosa". O príncipe herdeiro, por sua vez, mencionou que a Rússia poderia atuar como um estabilizador, dada sua boa relação tanto com o Irã quanto com as nações do Golfo.
A Rússia tem condenado de forma reiterada os ataques dos EUA e de Israel, assim como o assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Além de dialogar com o príncipe herdeiro saudita, Putin também conversou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Kremlin relatou que ambos enfatizaram a necessidade de cessar as hostilidades e retomar o processo político e diplomático.
Em uma conversa telefônica com o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, ambos expressaram preocupações sobre os riscos de uma escalada do conflito no Oriente Médio e o perigo de que outros países sejam arrastados para essa situação. Putin também se comunicou com o rei do Bahrein.
Contexto das tensões no Oriente Médio
Os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques ao Irã no sábado (28), em meio a crescentes tensões relacionadas ao programa nuclear iraniano.
O regime iraniano respondeu com retaliações contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal do Irã informou que o aiatolá Ali Khamenei foi uma das vítimas dos ataques norte-americanos e israelenses. Após a confirmação da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" de sua história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que a retaliação contra os ataques de Israel e dos EUA é um "direito e dever legítimo".
Em resposta, Donald Trump advertiu o Irã sobre consequências severas em caso de retaliações, afirmando que "seria melhor que eles não fizessem isso, pois se o fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca vista antes". As hostilidades entre as partes continuam a se intensificar.
Na véspera, Trump já havia declarado que os ataques ao Irã continuariam "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!".
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