PT escala Benedita da Silva para tentar reverter desgaste com evangélicos após Carnaval
PT escala Benedita da Silva para reverter crise com evangélicos
Após o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula, o PT designou a deputada federal Benedita da Silva (RJ) para amenizar o desgaste com o público evangélico. A escola de samba trouxe uma ala chamada “Neoconservadores em conserva”, que retratava famílias em latas, algumas com referências religiosas.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Benedita afirmou que “Deus não pode ser instrumento de campanha política” e enfatizou a diversidade dos núcleos familiares no Brasil. A parlamentar criticou o bolsonarismo, destacando que “usam a Bíblia como se fosse um crachá” e que, enquanto dizem defender a família, promovem medo e divisão.
Anne Moura, membro da Executiva Nacional do PT, destacou que a escolha de Benedita se deve à sua trajetória de diálogo com comunidades de fé e sua capacidade de construir pontes e esclarecer fatos.
O desfile gerou descontentamento entre líderes evangélicos, dificultando a aproximação do governo com esse segmento. A pesquisa Genial/Quaest revelou que 61% dos evangélicos desaprovam Lula, enquanto 34% o apoiam. No panorama geral, a desaprovação do governo é de 49% contra 45% de aprovação.
O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, expressou que é essencial dialogar com os conservadores, afirmando que o partido não deve excluir nenhum grupo do povo.
Membros do PT acreditam que a crise deve ser analisada ao longo do tempo para avaliar seu impacto na popularidade de Lula. O deputado Jilmar Tatto (SP) comentou que o barulho gerado pode ser maior que os efeitos reais. Já o presidente do partido, Edinho Silva, criticou a tentativa de desgastar a imagem do presidente por questões que não são de sua responsabilidade.
Lula se manifestou sobre as críticas ao desfile, dizendo que não teve envolvimento com a produção do samba e que apenas foi homenageado.
Dentro do governo, há receios de que essa situação afete a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União, que é evangélico, enfrenta resistência entre senadores, e o Palácio do Planalto teme que o desgaste atual seja usado contra sua nomeação.
A tensão gerada pelo bolsonarismo também pode impactar alianças políticas, afastando o Centrão da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
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