Corrupção

Prisões de PMs em SP alcançam maior patamar desde 2021; homicídio e corrupção são as principais causas

Aumento no número de prisões de policiais militares em São Paulo

Em 2025, o estado de São Paulo registrou um aumento significativo no número de policiais militares presos, o maior desde 2021. No total, 223 agentes foram detidos, segundo dados obtidos pela Folha através da Lei de Acesso à Informação.

Todos os detidos foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital. A unidade prisional viu um aumento de 35% nas entradas de detentos em comparação ao ano anterior, quando 165 policiais foram encarcerados.

No final de dezembro, a unidade abrigava 239 presos, embora tenha capacidade para mais de 300 detentos. O crime de homicídio foi o mais comum entre as prisões, com 46 PMs detidos por esse motivo. O aumento nas mortes durante intervenções policiais também contribuiu para o cenário, embora não explique totalmente o crescimento das prisões.

As detenções incluem não apenas crimes cometidos durante o exercício da função, mas também situações de violência doméstica e homicídios fora do serviço. Um caso notório envolveu um sargento que, após uma briga conjugal, invadiu uma clínica em Santos e disparou contra sua esposa e filha.

Em 2025, a letalidade policial atingiu níveis alarmantes, mesmo sem grandes operações como as que ocorreram em anos anteriores. Casos de policiais atirando em civis desarmados foram amplamente divulgados, com evidências registradas por câmeras corporais.

A taxa geral de homicídios no estado, por outro lado, foi a menor desde 2001, com 5,46 casos por 100 mil habitantes, totalizando 2.527 assassinatos.

O programa Olho Vivo, que implementou câmeras corporais na PM, teve um papel importante nesse aumento de prisões, permitindo que irregularidades fossem registradas e investigadas.

Acusações de corrupção e organização criminosa também aumentaram em 2025, com janeiro sendo o mês com o maior número de detenções. Um grupo de 15 policiais foi preso por envolvimento na escolta de um delator assassinado, e outros policiais foram detidos por corrupção dentro do próprio presídio.

A Secretaria de Segurança Pública atribui o aumento das prisões a um trabalho rigoroso da corregedoria, enfatizando que a PM não aceita desvios de conduta e está comprometida com a apuração e punição de irregularidades.

O cenário atual, conforme o coronel da reserva Marcelino Fernandes, não difere muito do observado em sua gestão anterior, quando também houve prisões em massa por conluio com o tráfico de drogas. Ele acredita que a fiscalização e a medição de comportamentos ilícitos são cruciais para o combate à corrupção dentro da corporação.


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