Banco de Brasília

Presidente do BRB fala a deputados do DF que avalia venda de Financeira do banco por R$ 1,2 bi

BRB planeja venda da Financeira por R$ 1,2 bilhão e revisa orçamento

O Banco de Brasília (BRB) anunciou que irá reduzir em 60% seu orçamento destinado a patrocínios e está avaliando a criação de uma empresa separada em parceria com o Flamengo. Essa reestruturação surge após uma análise de contratos, em resposta a um rombo relacionado a transações com o Banco Master.

BRASÍLIA - O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, revelou a deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal que a venda da Financeira BRB por R$ 1,2 bilhão está sendo considerada como uma estratégia para melhorar a liquidez do banco. A declaração foi feita em uma reunião privada, segundo fontes presentes.

Esse encontro coincide com a busca do governo do Distrito Federal por apoio legislativo para aprovar um projeto que visa capitalizar a instituição pública.

A proposta mais recente, apresentada à Câmara Legislativa no dia 24, permite que o Executivo distrital realize operações de crédito de até R$ 6,6 bilhões e venda nove imóveis. O BRB, por sua vez, solicitou um aporte de até R$ 8,86 bilhões para fortalecer seu capital.

O governo enfrenta um prazo apertado para aprovar essa proposta e garantir novos recursos ao banco. O Estadão já havia informado que o Banco Central pode implementar medidas preventivas caso a capitalização não ocorra até 31 de março, data limite para a divulgação do balanço do BRB.

De acordo com informações anteriores, especialistas acreditam que o problema patrimonial do BRB não será resolvido apenas com a venda de ativos, sendo necessária a injeção de recursos pelo controlador.

Nesta segunda-feira, Souza descreveu o Banco Central como um parceiro colaborativo na busca por soluções. O presidente mencionou também a existência de interesse em operações de crédito com o governo distrital, sem revelar nomes. O projeto permite um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com instituições financeiras ou com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Mais cedo, o presidente do BRB informou à Câmara Legislativa que, sem intervenções do governo do Distrito Federal, a continuidade das operações do banco estaria em risco.

Aporte pode impactar orçamento do DF e ferir a LRF

O BRB solicitou um aporte de até R$ 8,86 bilhões após enfrentar perdas significativas com o Banco Master. A Terracap, empresa pública do DF, apresentou aos deputados uma estimativa indicando que os imóveis a serem vendidos pelo governo distrital podem valer cerca de R$ 6,4 bilhões. Durante a reunião, Souza expressou o desejo de aprovar o projeto para incluir esses imóveis como ativos no balanço do banco, mesmo que não representem liquidez imediata.

Esse aporte é crucial devido às perdas esperadas em decorrência de compras fraudulentas de créditos que totalizam R$ 12,2 bilhões do Banco Master. O BRB conseguiu trocar esses créditos por outros ativos, mas, devido à qualidade questionável desses papéis, prevê perdas que podem variar entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.

Dado que o patrimônio líquido do banco é pouco superior a R$ 4 bilhões, uma provisão de R$ 5 bilhões o deixaria em uma situação financeira negativa. O valor foi mencionado pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, durante um depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro.

Um dos participantes do encontro destacou que Souza não tocou na possibilidade de federalização do banco ou na necessidade de buscar garantias do Tesouro Nacional para uma operação de crédito. Em entrevista ao Estadão no mês passado, o presidente descartou essa possibilidade durante sua gestão.


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