Banco de Brasília

Presidente do BRB diz que há pressão externa por privatização e defende socorro estatal ao banco

Presidente do BRB aponta pressão externa por privatização e defende socorro estatal

Na manhã desta segunda-feira (2), o presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, se reuniu com deputados do Distrito Federal e destacou que há uma pressão externa pela privatização da instituição. No entanto, ele rejeitou essa alternativa e defendeu a aprovação de um projeto de socorro ao banco, elaborado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB).

Durante a reunião fechada, que contou com a presença de 19 dos 24 deputados distritais, foram abordados os detalhes do projeto de lei enviado pelo governo do DF, que é acionista controlador do BRB, para mitigar os prejuízos enfrentados devido a operações com o Banco Master.

Souza refutou a crítica de que a proposta seria um "cheque em branco" e alertou sobre uma possível paralisia nas operações do banco caso o projeto não seja aprovado. Ele afirmou que a falta de aprovação resultaria na interrupção de programas sociais, no colapso do sistema de bilhetes do transporte público, e ainda suspenderia operações de crédito para diversos setores, incluindo pequenos empresários e servidores públicos.

Essa declaração foi interpretada por alguns deputados da oposição como uma ameaça, enfatizando a urgência de uma solução que deve ser definida até o final do mês, quando o BRB planeja divulgar seu balanço de 2025.

Souza também mencionou a possibilidade de criar um fundo imobiliário utilizando propriedades do governo do DF. Os imóveis foram avaliados em R$ 6,486 bilhões, mas esse valor não está incluído no projeto de lei.

Além disso, o plano de capitalização do BRB pode envolver a venda de uma de suas subsidiárias. A venda da Financeira BRB, que oferece crédito consignado e financiamento de veículos, pode gerar R$ 1,1 bilhão. O tema já foi discutido com representantes do Banco Central em reuniões recentes.

O presidente do BRB também afirmou que ativos do Banco Master, avaliados em R$ 21,9 bilhões, ainda não foram negociados. Ao ser questionado sobre a venda de ativos do BRB, ele comentou que, às vezes, "é melhor perder os anéis para ficar com os dedos".

Ele alertou que o fechamento do BRB poderia representar riscos para todo o sistema financeiro e reconheceu os danos à reputação do banco, mas negou qualquer omissão da gestão atual.

Os deputados buscaram esclarecer a situação financeira do banco antes da votação do projeto. O deputado Fábio Felix (PSOL) criticou a falta de clareza nas ações propostas, afirmando que o projeto não detalha de maneira transparente a solução para os problemas enfrentados.

O presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz (MDB), mencionou que a tramitação do projeto só será definida após o término das reuniões com Souza, para garantir que todas as preocupações sejam abordadas.

A possibilidade de privatização foi ressaltada pelo deputado Joaquim Roriz Neto (PL), que destacou o potencial do BRB, afirmando que se não houver uma solução até 31 de março, a privatização se tornaria uma realidade iminente.

Uma nota técnica da associação de advogados do BRB indicou riscos de intervenção ou liquidação extrajudicial pelo Banco Central, caso o projeto não seja aprovado. O governo de Ibaneis encaminhou um projeto de lei visando "recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido e do capital social" do banco, com um limite de R$ 6,6 bilhões para operações de crédito.

O projeto inclui a venda de imóveis que poderão ser utilizados como garantia em empréstimos ou na estruturação de fundos de investimento imobiliário, com a alienação podendo ser realizada pelo DF ou pelo próprio BRB.

O Centrad, complexo administrativo que está sem uso há 12 anos, também foi mantido no projeto de lei, apesar das polêmicas em torno de sua situação jurídica.

Na última semana, o BRB propôs um aumento de capital social de até R$ 8,86 bilhões, condicionado à aprovação do projeto do governo na assembleia extraordinária marcada para 18 de março.

Imóveis oferecidos pelo governo do Distrito Federal

SIA/SUL – Trecho Serviço Público – Lote B (sede da Novacap) - R$ 1,2 bilhão

SIA – Trecho Serviço Público – Lote F (CAESB) - R$ 632 milhões

SIA – Trecho Serviço Público – Lote G (propriedade do DF) - R$ 632 milhões

SIA – Trecho Serviço Público – Lote C (CEB) - R$ 547 milhões

SIA – Trecho Serviço Público – Lote I (propriedade do DF) - R$ 364 milhões

SIA – Trecho Serviço Público – Lote H (propriedade do DF) - R$ 361 milhões

Taguatinga – Qd 3, Conj A, Lote 1 (Centrad) - R$ 491,418 milhões

Setor de Áreas Isoladas Norte SAI/N (antigo lote da PM) - R$ 239 milhões

Gleba "A" com 716 hectares (Terracap) - R$ 2,2 bilhões


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