Presidente da Unafisco depõe à PF como investigado após críticas a Moraes, diz entidade
Presidente da Unafisco é ouvido pela PF como investigado após críticas a Moraes
Atualizado em 20/02/2026 às 19:05
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, na condição de investigado no inquérito das fake news.
A convocação para o depoimento foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após críticas de Cabral sobre a operação contra servidores do Fisco autorizada pelo magistrado.
Em nota divulgada pela Unafisco, a entidade informou que Cabral “foi ouvido na condição de investigado no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, apenas em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira, 18 de fevereiro”.
O conteúdo do depoimento permanece em sigilo, uma vez que a investigação apura suspeitas de vazamentos de dados sigilosos de ministros e de seus familiares. A Unafisco destacou que, conforme informado pela autoridade policial, o procedimento tramita sob sigilo, o que impede Cabral de comentar sobre o depoimento neste momento.
Na terça-feira, 17 de fevereiro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão e impôs medidas cautelares a servidores da Receita e do Serpro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções públicas.
Um dia após as ações da PF, Cabral concedeu entrevistas a diversos veículos, afirmando que a imposição de restrições sem um processo administrativo prévio ou evidências de crime grave seria uma tentativa de "humilhar, constranger e amedrontar" a categoria. Ele ressaltou que atualmente é "menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República".
Em entrevista à GloboNews, Cabral comentou sobre o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, afirmando que o documento não costuma ser arquivado nos sistemas da Receita e poderia ter vazado de várias fontes, incluindo contadores ou advogados.
O inquérito foi instaurado por Moraes em janeiro, sem provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR), após revelações sobre ligações entre familiares de ministros do STF e o Banco Master, que é investigado por suspeita de fraude. A abertura de inquéritos “de ofício” é prevista no regimento interno do Supremo.
A Unafisco divulgou uma nota ressaltando que o presidente prestou depoimento de maneira remota e que não poderá comentar o conteúdo devido ao sigilo do processo.
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