Presidente da FPF vira alvo de inquérito por suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica
Inquérito contra presidente da FPF
A menos de um mês da eleição que definirá o novo comando da Federação Paulista de Futebol (FPF), o presidente Reinaldo Carneiro Bastos tornou-se alvo de um inquérito do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A investigação, conduzida pela polícia, visa apurar suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e possível lavagem de dinheiro.
O inquérito teve origem em uma denúncia feita pelos promotores Beatriz Lotufo Oliveira e Júlio César Matias Soares, que notaram uma "vultuosa evolução patrimonial desprovida de lastro" do dirigente. Reinaldo afirmou que "jamais foi notificado" sobre a investigação e desconhece a informação.
De acordo com o documento anexado ao pedido de apuração, as irregularidades podem envolver infrações previstas na Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, além de potenciais crimes tributários. Curiosamente, a FPF é considerada a vítima das supostas transgressões.
Os investigadores observaram que o patrimônio de Reinaldo e de sua família cresceu de forma acelerada, com a aquisição de diversos imóveis em várias cidades, principalmente em Taubaté, onde também estão localizadas empresas familiares. Foram identificadas sucessivas alterações societárias e a criação de holdings, com a participação de parentes próximos na administração.
Um dos pontos críticos da investigação é a venda, em 2021, da participação de Reinaldo na Milclean Serviços Ltda., empresa de limpeza. A transação foi registrada em R$ 15,5 milhões, dos quais aproximadamente R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em dinheiro. Para os promotores, essa modalidade de pagamento é "atípica e incompatível com práticas comerciais comuns", gerando a necessidade de apurar a origem dos recursos.
O inquérito foi protocolado no 23º Distrito Policial de Perdizes em 23 de janeiro e enviado ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital para a fase de diligências, onde serão confrontados os dados financeiros e a evolução patrimonial atribuída ao dirigente.
Essa investigação ocorre em um momento crítico para a federação, que escolherá seu novo presidente em 25 de março. Reinaldo está concorrendo à sua terceira eleição, buscando seu quarto e último mandato, após ter assumido o cargo em 2015, sucedendo Marco Polo Del Nero, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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