Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e contesta investigação sobre 'núcleo político' do CV no AM
Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e critica investigação do CV no AM
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (23), o prefeito David Almeida manifestou apoio à ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas, que foi presa na Operação Erga Omnes na última sexta-feira (19). Durante a declaração, Almeida questionou a validade da investigação que envolve um suposto "núcleo político" do Comando Vermelho no estado.
A operação investiga a movimentação de cerca de R$ 70 milhões desde 2018, com indícios de que a organização criminosa utilizou empresas de fachada para facilitar o tráfico de drogas.
O prefeito criticou a ação da polícia, afirmando que ela visa prejudicar sua imagem. "O que está em andamento é uma operação para me sujar. Não tem nada a ver com tráfico de drogas. Vou provar a minha inocência", declarou, ressaltando que não é alvo da investigação.
Almeida afirmou acreditar na inocência de Anabela, que atualmente faz parte da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, e a considera uma pessoa de confiança. As investigações indicam que ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em prol da facção, mas o prefeito defendeu que tais valores são compatíveis com a renda dela, que inclui o salário de servidora pública e uma pensão.
Anabela, que é servidora concursada da Polícia Civil desde 2011, continua detida no 19º Distrito Integrado de Polícia. O Estatuto do Policial Civil do Amazonas assegura que agentes da corporação têm direito a ficar em unidade privativa enquanto o processo não tiver uma sentença definitiva.
A defesa de Anabela classificou a prisão como precipitada e baseada em acusações "equivocadas". O advogado negou qualquer envolvimento dela com os investigados e informou que ela não conhece o suposto líder da organização criminosa. Além disso, a defesa alegou que não teve acesso ao inquérito policial, o que considera irregular, e planeja solicitar a liberdade da cliente.
A operação resultou em 14 prisões, das quais oito ocorreram no Amazonas. Entre os detidos estão:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, supostamente envolvido em fornecer informações sigilosas.
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa, com transações suspeitas ligadas ao esquema.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior, Josafá de Figueiredo Silva, Osimar Vieira Nascimento, Bruno Renato Gatinho Araújo, e Ronilson Xisto Jordão também foram presos por supostas ligações com a facção.
A polícia revelou que a organização criminosa atuava em conjunto com traficantes e facilitava a contratação de empresas de fachada para adquirir drogas na Colômbia e distribuí-las em Manaus e outras regiões.
As investigações envolvem diversos crimes, como organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, e lavagem de dinheiro.
O Tribunal de Justiça do Amazonas e a Universidade do Estado do Amazonas se pronunciaram, afirmando que adotaram medidas administrativas em relação aos servidores citados e que não compactuam com ações irregulares.
A Prefeitura de Manaus destacou que não é alvo da operação e reafirmou seu compromisso com a legalidade, afirmando que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos.
A coletiva e as declarações geraram repercussão nas redes sociais e entre os cidadãos, que aguardam mais esclarecimentos sobre a investigação e suas implicações.
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