super

Por que ninguém sabe como tocar essa música de 140 anos

O Mistério da Música de 140 Anos

Uma busca pela interpretação de uma composição inacabada levou um professor de música a explorar os amores da compositora.

Introdução

A obra “Aus der Jugendzeit!!”, da compositora Ethel Smyth, é um enigma musical. Com uma partitura inacabada e sem instruções de performance, a peça desafia pianistas em sua execução. Um professor sugere que a chave para a verdadeira interpretação pode estar na intensa paixão de Smyth por E. v. H..

Principais Tópicos

Ethel Smyth é uma compositora inglesa esquecida, uma figura pioneira e multifacetada.

A peça “Aus der Jugendzeit!!” é marcada pelo mistério, sendo inacabada e sem diretrizes claras de performance, resultando em diversas interpretações.

Os pianistas enfrentam desafios ao abordar a obra de Smyth, com interpretações que variam significativamente.

A tese do professor Christopher Wiley indica que a interpretação correta pode ser encontrada na biografia de Smyth e em seu profundo amor por E. v. H..

Aspectos da vida de Ethel Smyth como sufragista, compositora e suas relações amorosas são fundamentais para entender sua arte.

A Obra Inacabada

Entre 1878 e 1880, Ethel Smyth escreveu “Aus der Jugendzeit!!”, uma peça dedicada a E. v. H., mas nunca finalizada. O manuscrito, hoje no Museu Britânico, contém mais de 600 notas, mas sem qualquer indicação de como a música deveria ser tocada.

A falta de reconhecimento da compositora após sua morte contribuiu para o esquecimento de sua obra. Smyth foi uma das poucas mulheres lésbicas e feministas no cenário musical do século 19, criando óperas e defendendo o sufrágio feminino.

Recentemente, sua obra tem sido redescoberta, mas a interpretação de “Aus der Jugendzeit!!” permanece um desafio.

O Desafio da Interpretação

Christopher Wiley, da Universidade de Surrey, analisou gravações da peça para entender as variações interpretativas. Em seu artigo “Música Redescoberta, Interpretação Indescobrível”, ele comparou três versões diferentes, observando como cada pianista interpretou a obra de maneira distinta, refletindo a falta de diretrizes na partitura.

A obra, por ser incompleta, não oferece marcadores de performance, o que leva os músicos a tomarem liberdades interpretativas.

Contexto Biográfico

Wiley sugere que a interpretação da peça deve considerar o contexto em que foi escrita. O primeiro passo é decifrar a identidade de E. v. H..

Historicamente, as partituras eram vistas como sugestões, não como comandos absolutos. Compositores do século 19, como Johannes Brahms, esperavam que os intérpretes trouxessem suas próprias interpretações, muitas vezes improvisando.

A falta de instruções claras em “Aus der Jugendzeit!!” torna a interpretação ainda mais complexa. A partitura foi publicada apenas no início dos anos 2000, sem um final definido, o que dificulta a execução.

As Gravações

A primeira gravação da peça foi realizada em 1995 pela pianista Liana Șerbescu. Ela redescobriu muitas obras menores de Smyth, que estavam arquivadas no Museu Britânico.

Dentre as gravações analisadas, a interpretação de Heloïse Ph. Palmer, gravada em 2016, se destaca por suas flutuações de tempo. A versão de Carolyn Enger, feita em 2020, mantém um ritmo mais constante, mas também desacelera no final.

A Interpretação de Wiley

Wiley argumenta que a resposta para a interpretação de “Aus der Jugendzeit!!” pode ser encontrada em documentos da vida de Ethel Smyth. Sua autobiografia, “Impressions That Remained”, revela detalhes sobre sua intensa relação com Elisabeth von Herzogenberg, a quem dedicou a peça.

As cartas de Smyth mostram sua luta interna entre o amor e as convenções sociais da época, proporcionando uma nova perspectiva sobre sua música.

Conclusão

A interpretação de “Aus der Jugendzeit!!” é um reflexo da vida multifacetada de Ethel Smyth. A música, que termina abruptamente, simboliza não apenas a inacabada obra da compositora, mas também as complexidades de sua existência e relacionamentos. Christopher Wiley sugere que a música, assim como a vida de Smyth, é cheia de nuances que merecem ser exploradas e compreendidas.


← Voltar para as notícias