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Por que fita adesiva faz aquele barulho? A ciência (finalmente) explica

Barulho da fita adesiva: a explicação científica

Pesquisadores da Universidade King Abdullah, na Arábia Saudita, descobriram o mecanismo que gera o som característico ao descolar a fita adesiva Scotch. A pesquisa foi publicada na revista Physical Review E.

O estudo revelou que microfissuras se movem em velocidades supersônicas pelo adesivo, gerando ondas de choque que resultam no ruído.

Experimentos detalhados

Utilizando câmeras de alta velocidade e microfones sincronizados, os cientistas conseguiram registrar simultaneamente as fraturas microscópicas e as ondas sonoras no ar.

Os testes foram realizados ao descolar a fita manualmente com uma haste metálica, permitindo que duas câmeras e microfones capturassem os eventos. A sincronização possibilitou a localização precisa dos pulsos de pressão.

Os resultados mostraram que o som é originado de uma sequência de choques fracos que se intensificam quando as fraturas alcançam a borda da fita. Cada vez que uma fratura atinge a extremidade, produz um pulso sonoro que se assemelha ao rangido de unhas em um quadro-negro.

Mecanismo de deslizamento

O fenômeno está ligado ao mecanismo de deslizamento e aderência durante o descolamento. Ao puxar a fita rapidamente, fissuras transversais se propagam pela largura do adesivo. A velocidade supersônica dessas fraturas em relação ao ar é crucial para a formação das ondas de choque.

Os pesquisadores explicaram que um vácuo parcial é criado entre a fita e a superfície ao abrir a rachadura, movendo-se rapidamente até colapsar no ar estacionário.

Histórico de pesquisas

O interesse pela fita Scotch remonta a 1939, quando cientistas notaram que descolar a fita podia gerar luz, um fenômeno conhecido como triboluminescência. Em 1953, cientistas russos detectaram elétrons ao descolar a fita em vácuo. Em 2008, físicos da UCLA confirmaram a produção de raios-X ao desenrolar a fita em uma câmara de vácuo.

Em 2010, a equipe de Thoroddsen utilizou imagens ultrarrápidas para identificar a propagação de fissuras transversais. Em 2024, um estudo subsequente correlacionou o som estridente com essas fissuras, embora não tenha esclarecido o mecanismo.

É importante ressaltar que a produção de raios-X só ocorre em vácuo perfeito, portanto, usuários comuns de fita Scotch estão seguros. O entendimento sobre as ondas de choque nas microfissuras contribui para o conhecimento sobre materiais adesivos.

Desenvolvimento da fita adesiva

O desenvolvimento da fita adesiva transparente foi realizado por Richard Drew, engenheiro da 3M, em 1930. Drew também foi responsável pela invenção do dispensador em estilo caracol. A fita foi criada para resolver problemas na indústria automobilística, onde adesivos muito pegajosos frequentemente removiam tinta ao serem descolados.

Durante a Grande Depressão, a fita se tornou extremamente popular, pois os consumidores a utilizavam para consertar itens em vez de comprá-los novos. Essa popularidade se manteve ao longo dos anos.


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