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Por que EUA e Israel veem oportunidade única em ofensiva neste momento?

Análise da Ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã

A recente ação dos Estados Unidos e de Israel em lançar uma ofensiva contra o Irã, após um ataque coordenado, marca um momento de grande tensão e incerteza global.

Israel descreveu o ataque como "preventivo", mas as evidências sugerem que essa não é uma resposta a uma ameaça imediata. Na verdade, trata-se de uma guerra deliberada, com ambos os países avaliando que o regime iraniano está em uma posição vulnerável, enfrentando uma grave crise econômica, repressão interna e defesas militares debilitadas desde conflitos anteriores. Essa avaliação levou à conclusão de que este era um momento a ser aproveitado.

A situação também representa um desafio adicional para o já fragilizado sistema de direito internacional.

Tanto o presidente Donald Trump quanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfatizaram que o Irã representa uma ameaça para seus países, sendo que Trump chegou a caracterizar essa ameaça como global.

Apesar de o regime iraniano ser um adversário declarado, a aplicação da justificativa legal de legítima defesa é questionável, considerando a disparidade de poder entre os EUA e Israel, em contraste com o Irã.

A guerra, sendo um ato político, demanda objetivos claros. A experiência passada com conflitos armados demonstra que, uma vez iniciados, esses conflitos se tornam difíceis de controlar.

Benjamin Netanyahu considera o Irã como o inimigo mais perigoso de Israel, e vê essa situação como uma chance de prejudicar severamente o regime em Teerã e suas capacidades militares. Além disso, ele enfrenta eleições em breve, e sua história recente sugere que sua posição política tende a se fortalecer em tempos de guerra.

As motivações de Trump têm sido variáveis. Em meses anteriores, ele havia sinalizado apoio ao povo iraniano, mas também se dedicou a mobilizar força militar na região. Mesmo assim, não apresentou provas concretas de que o programa nuclear iraniano estivesse prestes a resultar em uma ameaça imediata.

O regime iraniano sempre negou que tivesse intenções de desenvolver armas nucleares, embora tenha enriquecido urânio a níveis que não são utilizados para fins civis. A retórica de ambos os líderes sugere que eles acreditam que a guerra poderia facilitar uma mudança de regime no Irã, mas a história recente demonstra que tal transformação não ocorre apenas por meio de ataques aéreos.

O regime iraniano, que se sustentou por quase meio século, é complexo e não seria facilmente substituído por um governo que defendesse a democracia e os direitos humanos. A falta de um governo alternativo credível no exílio agrava essa situação.

As forças de segurança iranianas demonstraram estar dispostas a usar força letal para manter o regime, e a ideia de que a morte do líder supremo, Ali Khamenei, poderia resultar em uma mudança significativa é questionável. Caso Khamenei fosse eliminado, é provável que outro clérigo assumisse o poder.

Trump também ofereceu imunidade aos membros das forças de segurança do Irã, mas essa abordagem é improvável de ser eficaz, uma vez que a ideologia do martírio é central na mentalidade da República Islâmica.

Os líderes iranianos agora precisam calcular como sobreviver a essa nova guerra, enquanto seus vizinhos, especialmente a Arábia Saudita, enfrentam um futuro incerto devido a essas tensões.

Diante da capacidade do Oriente Médio de exportar instabilidade, o aprofundamento do conflito pode intensificar a turbulência na região e em todo o mundo, que já enfrenta desafios significativos.


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