Por que Casagrande escolheu Berdeal para seguir à frente do MPES
Por que o governador Casagrande escolheu Berdeal para seguir à frente do MPES
O governador Renato Casagrande (PSB) escolheu Francisco Martínez Berdeal para seguir à frente do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por mais um biênio. O anúncio da decisão foi feito nesta quarta-feira (11). Berdeal, que chegou ao cargo na eleição passada, em março de 2024, foi o candidato apoiado pela então procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade, a quem sucedeu.
Desta vez, buscando a recondução, Berdeal só teve um adversário: o promotor de Justiça Marcelo Santos. No entanto, o fato imperativo que se sobrepõe a qualquer outro é que ele agora buscava a recondução. O regramento do Ministério Público autoriza uma única recondução, por igual período.
Com uma tradição forte de recondução dos mandatários, o MPES tem uma escolha difícil que Casagrande enfrentou: reconduzir um candidato que venceu a disputa interna pela preferência dos pares, mas não obteve mais votos. A votação foi bem mais equilibrada, com um placar de 15 votos para Berdeal em relação a 40,85% de votos atribuídos a Danilo Raposo Lirio.
Com um resultado tão dilatado, Casagrande enfrentou as seguintes alternativas: reconduzir Berdeal mesmo sem ter sido ele o mais votado, ou perder a recondução e deixar o cargo para outro candidato.
O resultado de sexta-feira (6) não mostrou propriamente uma “divisão”, mas uma nítida separação: quase todos os eleitores que votaram em Berdeal, votaram apenas nele. O mesmo vale para os eleitores de Danilo.
Apuramos que 31 eleitores votaram nos dois candidatos, enquanto 137 votaram somente em Francisco, o que equivale a metade dos atuais membros ativos do MPES. Se descartarmos os que votaram em ambos, a vitória de Francisco foi por 137 a 85: 61,7% a 38,3%. Proporcionalmente, uma vitória ainda mais dilatada.
Portanto, é improvável que Casagrande, apesar de sua preferência recair sobre Danilo, escolha reconduzir Berdeal. O fato é que Berdeal venceu a disputa interna pela preferência dos pares, mas não obteve mais votos. Casagrande enfrenta a alternativa de reconduzir um candidato que não é ele o mais votado, ou perder a recondução e deixar o cargo para outro candidato.
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