Por dentro da briga de Malafaia e Damares: candidatura de Flávio Bolsonaro e afago à Michelle divide evangélicos
A divisão entre Malafaia e Damares: a candidatura de Flávio Bolsonaro e o apoio a Michelle
A recente discussão entre líderes religiosos expôs a profunda divisão entre bolsonaristas em relação à candidatura presidencial deste ano.
A pastora e senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, gerou polêmica ao denunciar igrejas evangélicas e pastores por suposto envolvimento em fraudes no INSS. Suas declarações ao SBT News surpreenderam aliados e provocaram uma reação feroz do pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que a chamou de “leviana” e “mentirosa”.
“Não acusei nenhuma igreja. Se algum pastor errou, vai pagar, assim como qualquer presidente de sindicato”, afirmou Damares ao Intercept Brasil.
Aliados da senadora acreditam que ela está se distanciando da família Bolsonaro, o que Damares nega. “Minha relação com eles vai além da política. Conheço o capitão desde 1998”, defendeu.
Enquanto Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura, Damares demonstrou preferência por Michelle Bolsonaro como uma alternativa para a presidência, podendo ser candidata a vice na chapa de Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo.
Michelle, que ainda não se manifestou em apoio a Flávio, tem mostrado sinais favoráveis a Tarcísio, compartilhando vídeos e interagindo com comentários que reforçam sua candidatura.
Damares, em entrevista, afirmou que apoia Flávio e que a relação de Michelle com sua candidatura não é de resistência. No entanto, a atitude de Michelle gerou críticas de figuras como o blogueiro Allan dos Santos, que pediu mais apoio público a Flávio.
A família Bolsonaro, segundo relatos, não vê com bons olhos a movimentação de Michelle e Tarcísio. “Eles não confiam nela. Malafaia quer interferir nesse processo”, disse Caio Fábio, pastor e crítico de Malafaia.
A movimentação política de Michelle causa tensão entre os Bolsonaro, mas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, acredita que ela possui bom potencial eleitoral.
Damares e Michelle também estão unidas em apoiar a candidatura de Celina Leão, atual vice-governadora do Distrito Federal, para o governo local nas eleições de outubro.
O escândalo do INSS afeta as igrejas evangélicas. Damares confirmou, em sua entrevista, o nome de várias igrejas investigadas, incluindo a Adoração Church e a Assembleia de Deus Ministério Renovo.
Recentemente, Fabiano Zettel, da Igreja Batista da Lagoinha, foi preso em um aeroporto, e outros pastores também foram citados nas investigações.
Damares lamentou ter que fazer denúncias contra colegas religiosos e destacou que muitos líderes a aconselharam a não investigar, temendo a reação dos fiéis.
Malafaia, em resposta, exigiu que Damares revelasse os nomes de líderes que a orientaram a se calar. Em resposta, ela citou diversas igrejas e pastores, o que gerou mais controvérsias.
Damares, que é da Igreja Batista da Lagoinha, enfrentará desafios internos por suas declarações, especialmente ao citar membros de sua própria igreja.
Para Caio Fábio, Malafaia atacou Damares porque acredita que questões internas devem ser resolvidas privativamente entre os líderes.
A cisão no bolsonarismo também é vista como um fator que contribui para a tensão entre Damares e Malafaia. O desejo de proteger a reputação evangélica pode ter levado Malafaia a agir com agressividade.
Colegas de Damares no Republicanos também reconheceram que ela não poderia ignorar as denúncias que estavam sendo levantadas.
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