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Policiais desviaram cocaína de sócio de Marcola, disse informante

Informante revela desvio de cocaína ligado a sócio de Marcola

Em um relato registrado na 5ª Delegacia de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Tiago Lobo trouxe à tona informações contundentes sobre policiais civis que teriam desviado uma carga de cocaína pertencente a Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho, sócio do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola.

Lobo, que era informante de policiais sob investigação, apresentou seu testemunho em um pedido de colaboração premiada, documento obtido pelo Metrópoles. Tragicamente, ele foi assassinado em novembro do ano passado, em Campo Grande (MS), com 10 disparos.

No documento, Lobo detalha rotas, nomes e a suposta divisão de lucros, afirmando que a carga associada a Fuminho e Marcola foi interceptada na Rodovia Euclides da Cunha, na região de Rubinéia (SP), logo após cruzar a divisa com Mato Grosso do Sul.

Os policiais envolvidos na investigação são mencionados nominalmente: Alexandre Idalgo, Rafaela Bertoletti e Alberto Solano. Lobo também faz referência a um vídeo que mostraria um dos "gansos" — informantes da Polícia Civil — com dinheiro supostamente proveniente da droga. Esse termo se refere a informantes que atuam em operações específicas.

Além disso, Lobo anexou imagens da rodovia para ilustrar a abordagem realizada. Ele relatou que Fuminho operava em Bom Retiro e Santa Ifigênia, áreas centrais de São Paulo, e que mantinha uma "cozinha" de cocaína em Duque de Caxias (RJ), com dinheiro circulando por meio de operadores financeiros.

O informante também mencionou a divisão de lucros, pagamentos via dinheiro e Pix, além do uso de aplicativos de transporte para logística. Em um trecho, Lobo afirmou que “80% do que acontece com o tráfico em São Paulo tem participação do ex-chefe de investigações Cleber Gimenez”.

Contudo, as declarações de Lobo sofreram uma reviravolta. Em um e-mail enviado à Corregedoria, ele se retractou, afirmando que não tinha envolvimento em atividades ilícitas e que seu objetivo era apenas colaborar como testemunha.

Diante das graves acusações, a Corregedoria solicitou que o caso tramitasse em sigilo no Ministério Público de São Paulo (MPSP).

As investigações continuaram, e provas foram coletadas que corroboram, em parte, as declarações de Lobo antes de sua morte, que, segundo a investigação do Departamento de Homicídios de Mato Grosso do Sul, estaria relacionada a conflitos com traficantes locais.

A Corregedoria, em nota, reafirma que não compactua com desvios de conduta e que todos os casos comprovados são punidos rigorosamente. O inquérito já foi enviado à Justiça, e os policiais mencionados estão sob investigação por associação criminosa e tráfico de drogas.

Os três policiais — Alexandre Idalgo, Alberto Solano e Rafaela Bertoletti — já foram indiciados, assim como os informantes Júlio César Mariano e Jorge Vinico Aquino de Andrade. No âmbito administrativo, os policiais respondem a um processo disciplinar que pode levar a suas expulsões.

A Corregedoria ressaltou que a investigação foi realizada de acordo com a legalidade, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

Cleber Gimenez também enfrenta outra investigação por lavagem de dinheiro.

As defesas dos policiais alegam que seus clientes ainda são investigados sem denúncia formal e destacaram que a operação que resultou na apreensão da droga levou à prisão do condutor da carreta por tráfico.

Os advogados pediram a remessa do caso ao Gaesp, grupo do MPSP, para garantir a imparcialidade da investigação. A defesa de Gimenez afirma que as denúncias são baseadas apenas em declarações unilaterais, sem provas concretas.

A defesa expressou confiança na inocência de seu cliente, assegurando que isso será reconhecido pelo Judiciário.


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