Crimes digitais

Polícia Civil de SP soluciona quase um crime digital por dia no estado

Publicado em 19/01/2026 - 09:50

Desde sua criação em 2020, a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) se tornou uma referência no combate ao aumento de delitos no ambiente digital. Em 2025, a unidade especializada solucionou 353 casos, o que equivale a quase um crime esclarecido diariamente.

Durante o ano, a DCCiber conduziu 138 operações, cumpriu 632 mandados judiciais e realizou 325 indiciamentos. Foram apreendidos 402 celulares e 727 dispositivos eletrônicos, essenciais para a coleta de provas e identificação dos criminosos.

Os resultados positivos, segundo o delegado Paulo Barbosa, chefe da DCCiber, são frutos de uma abordagem colaborativa que une investigação policial e inteligência técnica. A unidade conta com o Centro de Inteligência Cibernética (CIC), integrado por policiais com expertise em informática, frequentemente chamados de “hackers” pela equipe.

“Todos os policiais têm formação na área digital, seja por meio de graduação ou cursos especializados na Academia de Polícia. Enquanto alguns se concentram nas investigações em campo, nossos ‘hackers’ exploram áreas menos acessíveis da internet”, explicou Barbosa.

Esse trabalho, que demanda conhecimento de sistemas complexos, permite o rastreamento digital e a identificação de conexões eletrônicas, impulsionando as investigações.

Golpes digitais lideram ocorrências

Os golpes virtuais são os crimes mais frequentes na DCCiber, utilizando engenharia social e tecnologias avançadas. Entre as táticas mais comuns estão falsos gerentes de banco, perfis fraudulentos em redes sociais, clonagem de números de telefone e pedidos de dinheiro feitos por pessoas que se passam por familiares.

Conforme o delegado, o uso de tecnologias como Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP) e inteligência artificial para simular vozes tem tornado os golpes mais convincentes, dificultando a identificação pelas vítimas.

“No golpe do falso gerente, a vítima recebe uma ligação do número do banco, com a voz de um gerente. O golpista finge uma tentativa de invasão na conta e, ao acionar protocolos de segurança, gera preocupação, levando a vítima a seguir todas as instruções”, exemplificou. “Os criminosos perceberam que é mais eficaz atuar virtualmente do que fisicamente.”

Embora haja a crença de que os idosos são os principais alvos, jovens entre 16 e 25 anos estão se tornando as vítimas mais comuns, devido à sua maior atividade nas redes sociais. “Os golpes exploram emoção e urgência; quando a vítima age sem verificar a informação, facilita a ação criminosa”, alertou Barbosa.

A Polícia Civil enfatiza que instituições financeiras nunca solicitam dados pessoais ou procedimentos de segurança por meio de links ou mensagens. A recomendação é utilizar sempre aplicativos oficiais, desconfiar de promessas de ganhos fáceis e, em caso de dúvida, confirmar informações diretamente com familiares ou instituições.


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