Carlos Jordy

Polêmicas e briga familiar: quem é Carlos Jordy, deputado alvo de operação da PF

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) foi um dos alvos da Operação Galho Fraco, deflagrada na manhã de 19 de outubro. A Polícia Federal investiga o parlamentar por desvio de recursos de cotas parlamentares, utilizando o aluguel de veículos em empresas suspeitas de serem de fachada. Além dele, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também foi alvo das buscas.

Natural de Niterói, Jordy está em seu segundo mandato. Ele foi eleito pela primeira vez em 2018, durante o auge do bolsonarismo, e é considerado parte do núcleo duro de defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de sua atuação em Brasília, foi vereador em Niterói por dois anos, onde construiu sua base eleitoral.

O deputado é conhecido por discursos alinhados ao bolsonarismo, focando em segurança pública e valores conservadores. Em 2018, foi o quarto parlamentar mais votado do Rio, com mais de 200 mil votos, mas em 2022, caiu para o 13º lugar, obtendo pouco mais de 114 mil votos. Apesar da queda, ele mantém influência no partido, ocupando uma cadeira na Comissão de Constituição e Justiça e cargos de vice-líder da oposição e da minoria na Câmara.

Cota parlamentar já foi motivo de polêmica

Carlos Jordy já esteve envolvido em controvérsias relacionadas à cota parlamentar. Em 2019, foi reembolsado por corridas de aplicativo que o levaram a um bar e a uma casa "de diversão adulta" em São Paulo, totalizando R$ 188. O caso ganhou destaque durante sua campanha para a prefeitura de Niterói, onde ele alegou que um ex-assessor foi responsável pelos deslocamentos e que devolveria os valores.

Brigas públicas com irmão deputado

O clima entre Carlos e seu irmão, o deputado estadual Renan Jordy, também do PL, é tenso. Carlos processou Renan para que ele não usasse o sobrenome "Jordy" na política. Em uma recente decisão judicial, Carlos perdeu a disputa. A origem do apelido remete à sua semelhança com o cantor francês Jordy Lemoine.

As desavenças entre os irmãos também se manifestaram nas redes sociais. Carlos criticou Renan por suas condutas, afirmando serem incompatíveis com a função pública. Renan, por sua vez, respondeu indiretamente, negando acusações e atacando a moralidade do irmão, sugerindo que ele tem um passado questionável.

Investigação da PF

Segundo o relatório da PF, Jordy e Sóstenes Cavalcante teriam usado recursos públicos para alugar veículos de empresas com indícios de irregularidade, como a Harue Locação de Veículos. A investigação revelou que a empresa não opera em seu endereço fiscal, caracterizando uma "dissolução irregular". Entre 2020 e 2024, Carlos Jordy teria pago R$ 214.000, enquanto Sóstenes teria desembolsado R$ 192.400.

Além disso, a frota da Harue é desproporcional em comparação com locadoras reais, que possuem mais de 20 veículos, enquanto a empresa em questão contava apenas com cinco. A investigação também aponta movimentações financeiras atípicas de assessores ligados aos gabinetes dos parlamentares.

Em resposta à operação, Jordy qualificou a ação como uma "perseguição covarde" e negou qualquer irregularidade.


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