Pleito de SP se desenha com Haddad candidato e aval do PL a Tarcísio
Cenário Eleitoral em São Paulo: Haddad como Candidato e Apoio do PL a Tarcísio
28/02/2026 12h39
As articulações para as eleições em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, estão em pleno andamento, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) buscando consolidar suas candidaturas. A disputa promete ser uma repetição do embate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ocorrido há quatro anos. O ministro da Fazenda, Haddad, demonstrou maior abertura para se candidatar após uma reunião com Lula. Por outro lado, o atual governador estabeleceu uma aliança com o senador, mostrando unidade em uma foto que reforçou sua parceria, superando desavenças recentes.
Entretanto, desafios permanecem para ambos os lados. Questões como a função do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na disputa, a escolha do vice de Tarcísio e a definição das chapas ao Senado ainda estão indefinidas.
Durante um jantar com Lula na quinta-feira, a disposição de Haddad para enfrentar o desafio eleitoral se tornou evidente, embora uma nova reunião esteja programada para a próxima semana, com a presença de Alckmin, considerado uma peça-chave nesse quebra-cabeça político. O ex-governador expressou sua preferência em continuar como vice, mas enfrenta pressões de diversos setores.
Haddad reconheceu a reunião, mas esclareceu que ainda não se discutiu uma candidatura formalmente.
— Embora tenha sido noticiado, não houve conversa sobre eleições — afirmou em entrevista ao Flow Podcast, referindo-se às viagens feitas com o presidente e ao jantar.
Alckmin comentou a possibilidade de Haddad se candidatar, mas negou ter sido convidado para um encontro.
— Haddad é um excelente candidato para tudo. Ele possui espírito público, experiência e capacidade de trabalho.
A votação de Haddad em 2022 é vista como um sucesso pelos petistas, considerando a histórica dificuldade do partido em São Paulo. Alckmin, com quatro mandatos como governador, é visto como um trunfo para aumentar a competitividade da candidatura. A expectativa é que ele ajude na campanha de Haddad no interior, especialmente entre os setores do agronegócio.
O ex-governador e ministro Márcio França (Empreendedorismo) está planejando uma série de visitas ao interior, visando fortalecer a campanha da esquerda, e confirmou que Alckmin deverá participar de alguns comícios, abrangendo 40 cidades.
Esse movimento acontece em um cenário onde a posição de Alckmin tem atraído a atenção de uma facção do MDB, que enfrenta divisões internas. O presidente do partido, Baleia Rossi, é aliado de Tarcísio e resiste à proposta de compor a vice.
Entre os apoiadores de Lula, a expectativa é que a pré-candidatura de Haddad seja oficializada na próxima semana. Após o anúncio, o PT iniciará discussões sobre o vice e as candidaturas ao Senado. A composição de uma chapa com Haddad, Alckmin e as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) é vista como uma estratégia que poderia dificultar a campanha de Tarcísio. O nome de França também é considerado.
— No caso do Haddad, não era necessário nem consultar, já que todos estavam pedindo para ele ser candidato, mas para as outras candidaturas, mais diálogos serão necessários — declarou o deputado federal Rui Falcão (PT-SP).
Por sua vez, a principal incerteza para Flávio envolve a escolha do vice de Tarcísio. O cargo é disputado por partidos como o PL, que busca indicar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o PSD, que atualmente possui a vice com Felício Ramuth (PSD).
Após um encontro com Tarcísio e a participação em uma homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Flávio anunciou que a chapa da direita será revelada em 30 de março, com a decisão sobre o vice cabendo ao governador. O PL, por sua vez, pressiona pela indicação, em detrimento do atual vice, que enfrenta investigações por supostas irregularidades.
— O André do Prado é um excelente quadro, assim como o atual vice-governador, e há outros bons nomes em São Paulo — comentou. — É uma decisão pessoal de Tarcísio, que ele tomará de acordo com os interesses partidários.
Valdemar, após o evento, reiterou sua intenção de garantir que o partido ocupe a segunda posição na chapa estadual, mesmo após Tarcísio afirmar que nenhuma legenda tem direito automático ao cargo.
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