Plano de aliança regional é ‘tentativa de Netanyahu para criar nova guerra religiosa no Oriente Médio’, diz analista
Análise aponta que plano de aliança regional é tentativa de Netanyahu de instigar nova guerra religiosa
O cientista político Mohammed Nadir classificou a proposta do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de criar um bloco majoritariamente sunita como uma "fantasia belicosa". Segundo Nadir, a iniciativa visa promover mais conflitos religiosos no Oriente Médio.
Ele explicou que Netanyahu busca se afirmar como o líder supremo da região, unindo os sunitas contra os "xiitas radicais". "O objetivo não é a solidariedade com os sunitas, mas sim uma estratégia de dividir para dominar", ressaltou o analista do Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil (Opeb).
No último domingo (22), Netanyahu apresentou um plano de um "hexágono de alianças", que incluiria Israel, Índia, Grécia e Chipre, entre outros países árabes e asiáticos não especificados. Ele afirmou que este grupo se uniria para combater adversários considerados "radicais".
"Estamos criando um sistema completo, essencialmente um ‘hexágono’ de alianças em torno do Oriente Médio", declarou Netanyahu, enfatizando a formação de um eixo de nações com interesses comuns.
Até o momento, nenhum dos países mencionados endossou publicamente a proposta. É importante notar que Grécia e Chipre são membros do Tribunal Penal Internacional (TPI), que emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu por crimes de guerra em Gaza.
O foco da aliança seria a contenção do Irã, uma nação de maioria xiita, enquanto os sunitas predominam em países como Egito e Arábia Saudita. O Irã, por sua vez, apoia o Hezbollah no Líbano, que é considerado um dos grupos não estatais mais influentes na região.
O governo sírio de Bashar al-Assad permitia a formação de um corredor entre o Irã e o Hezbollah, mas esse acesso foi bloqueado pelo novo governo de Ahmed Hussein al-Shar’a.
No Iraque, o Irã mantém relações com diversas facções xiitas, e no Iémen, o movimento houthi, de orientação xiita, tem recebido apoio de Teerã.
Recentemente, Israel realizou ataques em pelo menos seis países da região, incluindo Palestina, Irã e Síria, além de ações em águas internacionais na Tunísia e Grécia.
Nadir alertou que a história demonstra que a cosmovisão xiita é diametralmente oposta à sunita, e qualquer tentativa de desestabilizar o Irã pode resultar em um desastre para a região, beneficiando apenas os interesses israelenses e gerando mais instabilidade.
Ainda que a Índia não tenha se manifestado sobre a aliança, o primeiro-ministro Narendra Modi visitará Israel nesta quarta-feira (25) para discutir temas como inteligência artificial e segurança. Historicamente, a Índia mantém relações complexas na região, incluindo laços com o Irã.
Nadir criticou a postura atual da Índia sob Modi, que se afastou da política externa de apoio aos oprimidos, representada por líderes como Mahatma Gandhi e Nehru. Ele apontou a contradição da Índia em apoiar a aliança com Netanyahu enquanto participa de fóruns como o Brics, que defende um mundo multipolar.
Essa dinâmica levanta questões sobre o futuro das relações internacionais na região e a possibilidade de uma nova escalada de tensões.
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