PL e União tentarão barrar votação do fim da escala 6×1 por receio de derrota
PL e União buscam barrar votação do fim da escala 6×1 por receio de derrota
Atualizado em 24/02/2026 às 16:10
Os líderes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, estão articulando esforços para impedir que a proposta que extingue a escala 6x1 seja apresentada ao plenário do Congresso antes das próximas eleições. Eles acreditam que a proposta pode ser aprovada com facilidade, especialmente entre parlamentares que buscam reeleição ou novos mandatos.
A estratégia foi revelada durante um jantar com empresários organizado pela Esfera Brasil, em São Paulo, na noite de segunda-feira, 23. O encontro contou com a presença de representantes de grandes empresas, incluindo nomes do varejo e de gigantes como Google e iFood, evidenciando a preocupação do setor produtivo com os possíveis impactos da proposta.
Rueda expressou sua "posição pessoal" contrária à medida, argumentando que ela "oneraria o setor produtivo e geraria inflação", embora reconhecesse o custo político de rejeitá-la.
“Precisamos ser estratégicos e evitar que essa votação chegue ao plenário, pois, se chegar, a aprovação será quase garantida”, disse, sugerindo uma "barrigada" na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para bloquear o avanço da proposta.
De acordo com a CNI, os custos para as empresas decorrentes do fim da escala 6×1 podem alcançar R$ 267 bilhões ao ano.
Valdemar Costa Neto corroborou a análise de que o cenário é desfavorável para aqueles que tentarem barrar a proposta por meio de votação. Ele também se posicionou contra a medida, enfatizando a necessidade de articulação política para impedir seu avanço.
“Se um deputado votar contra, a situação será complicada para ele. Temos que nos mobilizar para evitar essa votação, pedindo a pressão dos empresários sobre seus representantes. Se isso for pautado, será difícil não aprovar”, admitiu.
Por outro lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a proposta uma das prioridades para o último ano de mandato, buscando acelerar sua tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já demonstrou interesse em dar celeridade ao tema e indicará um relator da PEC na CCJ ainda nesta semana.
A proposta em debate reúne textos apresentados pelos deputados Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), que defendem mudanças na Constituição para permitir a redução da jornada semanal de trabalho. A intenção é substituir o modelo atual de seis dias de trabalho por cinco de trabalho e dois de descanso.
“O equilíbrio e a responsabilidade são essenciais em uma questão tão impactante. O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar para trás. Vamos liderar a discussão ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de votação em maio”, afirmou Motta no início do mês, ao anunciar o encaminhamento da proposta para a CCJ.
O fim da escala 6x1 mobiliza as centrais sindicais e será o foco das celebrações do 1º de Maio deste ano.
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