PF pede ao STF investigação sobre conversas entre Casagrande e Macário
Investigação sobre conversas entre Casagrande e Macário é solicitada pela PF ao STF
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador Renato Casagrande (PSB). A solicitação é baseada em mensagens de WhatsApp trocadas entre Casagrande e o desembargador Macário Júdice, que está preso no Rio de Janeiro desde 16 de dezembro de 2025 por suspeita de obstrução de investigação.
Conforme o relatório da PF, as conversas indicam uma possível troca de favores entre o governador e o magistrado. Casagrande nega qualquer irregularidade, classificando as comunicações como "republicanas e institucionais".
A informação foi inicialmente divulgada pela coluna Radar, da revista Veja, e confirmada por A Gazeta e TV Gazeta. Macário é acusado de vazar informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun, que resultou na prisão do então deputado estadual TH Jóias, vinculado ao Comando Vermelho.
A PF apontou que mensagens extraídas do celular de Macário mostram que o governador solicitou atenção em um processo judicial que envolvia o ex-prefeito de Montanha, André Sampaio (PSB), aliado de Casagrande. Também foi destacado que um servidor efetivo do Estado teria sido cedido ao gabinete do desembargador.
Em uma troca de mensagens datada de 23 de julho de 2024, Casagrande pergunta a Macário sobre a possibilidade de contatar o relator do caso de Sampaio para solicitar agilidade na decisão, demonstrando interesse em um tratamento favorável.
O documento da PF revela que, após o pedido de análise, Macário retornou a mensagem no 7 de agosto de 2025, informando que o "assunto estava resolvido". Em janeiro de 2025, Macário também teria solicitado ajuda de Casagrande para ceder um policial penal ao seu gabinete no TRF-2.
A PF identificou indícios de "um ambiente de reciprocidade e possível troca de favores potencialmente criminosos". A representação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que deverá determinar a instauração de um inquérito para investigar corrupção passiva, corrupção ativa e advocacia administrativa.
Casagrande reafirma que não houve ilegalidades em suas interações com Macário. Em entrevista ao g1ES, ele destacou que a comunicação foi voltada para a estabilidade política do município e que está disposto a compartilhar seus dados, afirmando que não cometeu atos irregulares.
O processo envolvendo André Sampaio diz respeito a uma ação de improbidade administrativa que resultou em sua inelegibilidade devido a irregularidades durante sua gestão no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes).
O ex-prefeito, em contato com a reportagem, afirmou não ter conhecimento sobre qualquer interação entre o governador e o desembargador que visasse reverter sua situação judicial, expressando surpresa com as informações.
Uma consulta aos portais de transparência confirmou a cessão de um servidor do Estado ao gabinete de Macário entre novembro de 2024 e dezembro de 2025.
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