PF indicia Bolsonaro e Eduardo por suposta obstrução e faz buscas contra Malafaia
PF indicia Bolsonaro e Eduardo por obstrução de Justiça
Atualizado em 20/08/2025 às 21:21
A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de obstrução de Justiça no contexto da investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. O pastor Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão ao chegar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
O indiciamento faz parte da investigação sobre a atuação do deputado nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. A PF atribui a ambos os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal relacionada a organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do caso, enviou o relatório final da PF à Procuradoria-Geral da República (PGR). No indiciamento, a PF afirma ter encontrado mensagens do ex-presidente sugerindo um pedido de asilo político na Argentina.
A PF detalha que foi encontrada uma minuta em um arquivo de texto no celular de Bolsonaro, modificada dois dias após a Operação Tempus Veritatis, realizada em fevereiro de 2024. O documento contém um pedido de asilo ao presidente argentino Javier Milei.
"Embora se trate de um único documento sem data ou assinatura, seu conteúdo revela que o réu, desde a deflagração da Operação, planejou atos para evitar a aplicação da lei penal", aponta o relatório de 170 páginas assinado por três delegados.
A PF acusa o ex-mandatário de descumprir medidas cautelares, como a proibição de uso de redes sociais, e aponta que ele teria ativado um novo celular após a apreensão do anterior para intensificar a produção de mensagens.
Desde 4 de agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, mas já enfrentava uma série de restrições impostas por Moraes em julho. Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com outros investigados e de se aproximar de embaixadas.
Malafaia abordado ao retornar de Lisboa
A Polícia Federal informou que, no início da noite de 20 de agosto, cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia, que chegava de uma viagem a Lisboa. A abordagem foi realizada assim que ele desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, com a busca autorizada por Alexandre de Moraes.
Malafaia permanece no aeroporto prestando esclarecimentos e é alvo de medidas cautelares, como a proibição de deixar o país. O relatório final aponta que o pastor atuou com "adesão subjetiva ao intento criminoso", definindo estratégias e disseminando narrativas falsas para coagir membros do Poder Judiciário.
A PF indica que Malafaia exerce influência sobre a família Bolsonaro, validando o conteúdo das postagens do ex-presidente em momentos críticos. Mensagens indicam que ele instruía Bolsonaro a "disparar" vídeos e compartilhar conteúdos, burlando as restrições judiciais.
PF aponta uso de contas de terceiros por Bolsonaro
A PF sustenta que Bolsonaro utilizou contatos de terceiros para veicular vídeos e mensagens em redes sociais, mesmo sob proibição. Ele teria orientado o deputado Capitão Alden (PL-BA) sobre como expor sua imagem sem se manifestar diretamente.
Foram identificadas quatro listas de transmissão no WhatsApp, usadas para enviar mensagens, incluindo um vídeo que advertia sobre consequências extremas para o Brasil caso houvesse desafios às sanções da Lei Magnitsky.
O relatório destaca que Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024, descumpriram a proibição de contato imposta na Operação, evidenciando a manutenção do vínculo entre eles.
Interferência por meio de advogado estrangeiro
A PF identificou conversas entre Bolsonaro e Martin de Luca, advogado da Trump Media & Technology Group, que atua em ações judiciais contra Moraes nos EUA. Ele teria enviado a Bolsonaro uma petição da Rumble contra o ministro, encontrada em sua mesa de trabalho.
O relatório sugere que o ex-presidente solicitou orientação a De Luca para elaborar uma nota para suas redes sociais, envolvendo "ações previamente ajustadas" e "desvio de finalidade" para coagir o STF.
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