PF e TSE articulam plano contra o crime organizado
A Polícia Federal (PF) está atenta à possibilidade de infiltração do crime organizado nas eleições deste ano. Para combater essa ameaça, a PF elaborou um plano de ação que já foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, alerta sobre a tentativa de integrantes de organizações criminosas buscarem cargos eletivos para facilitar o acesso a recursos públicos.
Rodrigues mencionou que o projeto de segurança para as eleições foi submetido ao ministro da Justiça e à presidenta do TSE, Cármen Lúcia, com o objetivo de impedir a entrada do crime organizado no sistema eleitoral. Ele participou do evento “Rumos 2026”, em São Paulo, que reuniu diversas autoridades e representantes do setor privado.
O projeto foi encaminhado em janeiro e se baseia em experiências das eleições municipais de 2024, onde mais de R$ 30 milhões foram apreendidos, suspeitos de financiar campanhas de maneira ilegal. Essas investigações resultaram em mais de 90 operações em 2025, relacionadas ao processo eleitoral.
Rodrigues ressaltou que a presença de organizações criminosas em cargos eletivos é um desafio crescente, e que a infiltração no mercado financeiro e em setores como combustíveis já é uma realidade. Ele destacou que muitas dessas organizações são de colarinho branco, que tentam influenciar a economia.
A estratégia da PF tem sido desmantelar as finanças do crime, com apreensões que totalizam quase R$ 11 bilhões em 2025. Isso inclui bens como veículos, imóveis e dinheiro, sendo que R$ 2 bilhões foram relacionados ao caso do Banco Master.
Questionado sobre a autonomia da PF em investigações, Rodrigues se referiu à quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A solicitação foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início do ano. O delegado enfatizou que a PF não sofre influências políticas e que seguirá investigando qualquer indivíduo necessário.
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