PF apreende jatinho de deputado mineiro em desdobramento de investigação sobre desvios no INSS
PF apreende jatinho de deputado mineiro em investigação sobre desvios no INSS
Nesta segunda-feira (23), a Polícia Federal apreendeu um jatinho pertencente ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) como parte da Operação Sem Desconto. A confirmação veio de fontes próximas à investigação, que pediram anonimato.
A apreensão está relacionada a um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação foi iniciada em novembro, quando mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Naquela ocasião, a PF revelou que o deputado teria recebido pelo menos R$ 14,7 milhões em propinas para oferecer “proteção política” a um esquema ligado a um convênio entre o INSS e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O parlamentar era identificado nas planilhas de pagamento da confederação pelo apelido “Herói E” e recebia valores mensais através de um assessor.
Conforme as investigações, Pettersen era considerado uma “figura essencial” para o funcionamento do esquema, facilitando o acesso de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, a agentes com influência nas indicações para a presidência do INSS. Essa conexão política, segundo a PF, permitia a continuidade dos pagamentos irregulares provenientes do convênio.
O relatório da PF aponta que a Conafer recebeu R$ 708 milhões do INSS entre o início do convênio e a deflagração da operação, com 90% dos recursos sendo desviados para empresas de fachada e contas de operadores financeiros, incluindo repasses a pessoas e empresas ligadas ao deputado.
Os investigadores atribuíram a Pettersen a movimentação de ao menos R$ 14,7 milhões através de transferências fracionadas, prática conhecida como “smurfing”, para empresas como a Fortuna Loterias, de Governador Valadares, e a Construtora VLH, de Inhapim, ambas situadas no Vale do Rio Doce. A análise de dados bancários sugere que esses repasses coincidiram com períodos de liberação de pagamentos do INSS ao convênio com a Conafer, indicando uma possível contrapartida.
Além das acusações de receber propinas, o deputado, que preside o diretório mineiro do Republicanos, é investigado por ter vendido um avião a uma entidade ligada às fraudes apuradas. A apreensão do jatinho se insere nesse contexto de investigações, que analisa o uso de bens e empresas no esquema financeiro.
Em resposta, Pettersen afirmou que não pode comentar o caso por questões jurídicas, mas garantiu que a aeronave foi adquirida com recursos próprios. Ele destacou que a compra ocorreu antes dos fatos investigados e com origem comprovadamente lícita. O parlamentar reiterou sua confiança nas autoridades e sua disposição para colaborar.
“Esclareço que a aeronave em questão foi adquirida em momento anterior aos fatos investigados, com recursos próprios e de origem comprovadamente lícita. O bloqueio atual é uma medida cautelar de caráter temporário e não representa juízo sobre o mérito das investigações. Por se tratar de procedimento sob sigilo, não cabe mais comentários. Reitero minha inocência e a certeza de que os fatos serão esclarecidos”, disse em nota.
Após a fase anterior da operação, Pettersen afirmou estar “à inteira disposição” das autoridades para esclarecimentos. Ele enfatizou que já foi alvo de duas operações, sendo absolvido em uma delas e com a outra não tendo a denúncia recebida, por falta de provas.
“Deixo claro que apoio integralmente o trabalho das autoridades competentes e me coloco à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. Acredito na justiça, na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”, completou, negando qualquer irregularidade.
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