PF apreende jatinho de deputado em investigação sobre fraudes no INSS
Apreensão de bens do deputado Euclydes Pettersen em investigação do INSS
A Polícia Federal apreendeu bens do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), incluindo um jatinho, durante investigações sobre fraudes no INSS. O parlamentar é acusado de ter recebido R$ 14,7 milhões em propinas para proteger um esquema que desviou bilhões de reais. A operação está ligada à Conafer e inclui ex-dirigentes do INSS, como Alessandro Stefanutto. A investigação abrange prisões e apreensões em vários estados.
Na última segunda-feira, 23, a PF conduziu a apreensão como parte das investigações sobre fraudes que movimentaram quantias significativas no INSS, conforme reportado pelo jornal Estado de S.Paulo.
O deputado está sendo investigado na Operação Sem Desconto, que analisa descontos indevidos em contracheques de beneficiários do INSS. Em novembro do ano anterior, ele já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão.
Conforme apurações da Inter TV-MG, Pettersen aparece em planilhas de pagamento da Conafer com o codinome “Herói E”. Os repasses de propina eram feitos mensalmente com a intermediação de um assessor.
Em resposta, o deputado se manifestou no Instagram, afirmando que sua fazenda e um carro foram bloqueados de forma injusta, e que o jatinho foi adquirido com dinheiro lícito e impostos pagos. Ele reafirmou que quem é inocente não teme.
Em novembro do ano passado, a PF prendeu Alessandro Stefanutto e mais oito indivíduos, que foram identificados como parte do "núcleo político" de uma organização criminosa que desviava valores do INSS.
Segundo a PF, Stefanutto recebia até R$ 250 mil mensais em propinas, e a maior parte dos pagamentos ocorreu entre junho de 2023 e setembro de 2024. Outros investigados também são mencionados, incluindo José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência. No entanto, Pettersen se destaca como o que recebeu a maior quantia.
A Polícia Federal possui mensagens e registros que evidenciam as transações ilegais. A nova fase da operação investigou o envolvimento de políticos e dirigentes do INSS com a Conafer, que recebeu mais de R$ 708,3 milhões do INSS, dos quais R$ 640,9 milhões foram desviados.
Entre os detidos, o empresário Cícero Marcelino é considerado o responsável pelas movimentações financeiras da organização. A operação resultou em dez mandados de prisão, um dos quais permanece em aberto. O presidente da Conafer, Carlos Lopes, é considerado foragido.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destacou o papel de Stefanutto, que utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro.
Stefanutto, que deixou o cargo por ordem judicial, é acusado de dar aparência de legalidade a operações fraudulentas. Em nota, sua defesa alegou que a prisão é ilegal e que ele colaborou com as investigações.
O ex-ministro José Carlos Oliveira também é mencionado como figura-chave no esquema. Embora não tenha sido preso, ele teve uma tornozeleira eletrônica instalada após decisão judicial.
De acordo com a PF, mensagens e planilhas apreendidas indicam que integrantes do esquema utilizavam codinomes para se referir uns aos outros. Pettersen, por exemplo, era chamado de “Herói E”.
O deputado afirmou que apoia as autoridades e está à disposição para esclarecimentos. Durante a operação, a PF também confiscou armas e veículos de luxo em diversas localidades.
Alvos da operação negaram qualquer envolvimento e se apresentaram voluntariamente à PF para colaborar com a investigação. As alegações de cada um dos investigados continuam a ser analisadas pela polícia.
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