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PF aponta que ex-diretor e ex-servidor do BC receberam dinheiro para ajudar Vorcaro

PF investiga ex-diretor e ex-servidor do BC por suposto recebimento de propina

04/03/2026 12h18

Atualizado há 6 minutos

Um relatório da Polícia Federal revela que dois ex-dirigentes do Banco Central teriam recebido pagamentos mensais do banqueiro Daniel Vorcaro para facilitar a atuação do Banco Master, burlando a fiscalização da própria instituição. O documento foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto da Operação Compliance Zero. Os investigados são o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe de departamento de Supervisão Bancária Belline Santana, que atuaram como "consultores informais" para Vorcaro enquanto ainda estavam no cargo.

Os dois teriam recebido valores para fornecer informações e ajudar na elaboração de solicitações ao BC. Na operação realizada nesta quarta-feira (4), a PF impôs tornozeleiras eletrônicas a ambos, além de proibi-los de acessar os sistemas do Banco Central e frequentar a autarquia.

O afastamento de Paulo Sérgio e Belline ocorreu em janeiro deste ano, por determinação do próprio BC, que iniciou uma investigação interna sobre o caso Master. A operação da PF se baseou em informações do Banco Central.

Mensagens trocadas por Vorcaro indicam tentativas de intimidação contra jornalistas e funcionárias que poderiam ameaçar o esquema fraudulentos.

Até o momento, o BC não se manifestou sobre o caso. O Estadão está em contato com as defesas dos ex-servidores e aguarda posicionamentos.

No documento apresentado pelo ministro Mendonça, é descrito o relacionamento ilícito entre Vorcaro e os servidores do BC, com indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas.

A PF considera que ambos se tornaram, na prática, "empregados" de Vorcaro, atuando em interesses pessoais do banqueiro. A análise das mensagens de WhatsApp entre Vorcaro e Belline revela uma relação similar à que existia com Paulo Sérgio.

Além do afastamento, os dois foram alvos de medidas de busca e apreensão. Investigações apontam que empresas fictícias foram criadas para simular a prestação de serviços pelos servidores.

O relatório indica que Vorcaro coordenou a criação de contratos simulados de consultoria, utilizados para justificar transferências financeiras aos servidores, em troca de "assessoria" privada.

As investigações mostram que Vorcaro buscava orientações estratégicas sobre reuniões, elaboração de documentos e assuntos sensíveis perante o BC.

Em uma troca de mensagens, Vorcaro parabeniza Paulo Sérgio pela nomeação como chefe-adjunto de Supervisão Bancária. O ex-diretor teria repassado informações sobre movimentações financeiras suspeitas ao banqueiro, permitindo que este tomasse medidas preventivas.

Além dos pagamentos, há indícios de que Vorcaro teria ajudado Paulo Sérgio em uma viagem à Disney, em Orlando. Mensagens revelam que Vorcaro se ofereceu para organizar guias para a viagem.

Na manhã desta quarta-feira, Vorcaro foi preso em sua residência em São Paulo e levado à Superintendência da PF. Também foram emitidos três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão.

Entre os alvos está o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, suspeito de atuar como operador financeiro. A defesa de Zettel informou que ele não estava em Belo Horizonte e que se apresentará à PF.

Na mesma operação, foram detidos o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, envolvidos em atividades de monitoramento de adversários de Vorcaro.

As defesas do banqueiro e dos demais alvos foram contatadas, mas ainda não se pronunciaram.

Esta nova fase da investigação apura crimes como invasão de dispositivos informáticos, ameaças, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a Vorcaro e seus aliados.


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